Revisitar | Descobrir Guerra Junqueiro


Guerra Junqueiro na lusofilia francesa

Na sequência de Guerra Junqueiro: Fragmentos de Unidade Polifónica, editado pela Cosmorama Editora, Guerra Junqueiro na lusofilia francesa: Traduções (poesia) é o mais recente trabalho de Henrique Manuel Pereira.

Editado com a chancela da Theya-Alforria, aqui se abordam, entre outros, autores como: Philéas Lebesgue, Maxime Formont, Achille Millien, Jules Supervielle, Fernand Lambert, Isabel Meyreles e Evelyne Kesteven.

Este texto, deliberadamente circunscrito às relações de Guerra Junqueiro com os lusófilos e tradutores franceses, é, antes de mais, um trabalho de arqueologia literária e um esforço de fixação de memória. Pretende desmontar a convicção vigente de que a figura e obra poética de Guerra Junqueiro nunca penetrou ou teve eco no meio cultural em França.

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Guerra Junqueiro e as mediações francesas: Traduções

Portugal e o Outro: Olhares, Influências e Mediação, com coordenação de Otília Pires Martins (Imprensa de Coimbra, CLC, FCT, Univ. Aveiro, 2009, integra, a  pp. 99-146 “Guerra Junqueiro e as mediações francesas: Traduções”, assinado por Henrique Manuel S. Pereira.

Ao longo de cerca de 50 páginas, desmonta-se a convicção vigente de que a figura e obra poética de Guerra Junqueiro nunca penetrou ou teve eco no meio cultural francês. Apura-se que o poeta de Freixo de Espada à Cinta mereceu o particular apreço de figuras como Philéas Lebesgue, Maxime Formont, Achille Millien ou Jules Supervielle.

P. Lebesgue, caso singular da lusofilia francesa, não apenas escreveu longos e elogiosos comentários a respeito da vida, obra e pensamento de Guerra Junqueiro, nas crónicas do Mercure de France, como o traduziu, chegando a dedicar-lhe poemas; M. Formont, também na qualidade de um dos mais destacados lusófilos franceses, estudou Guerra Junqueiro em páginas de publicações diversas e empreendeu a tradução de Os Simples, a qual, constestada por Junqueiro, acabaria por ficar incompleta; igualmente de Os Simples, A. Millien, nome grande da etnologia contemporânea francesa, traduziu um excerto; por sua vez, o franco-urugaio J. Supervielle, traduziu na íntegra a Oração ao Pão e A Lágrima, publicando as suas versões na conceituada revista La Poètique.

Às referidas traduções acrescem duas outras: a versão francesa de um fragmento de Pátria, por Fernande Lambert; e, mais próximas no tempo e daquela mesma obra de Junqueiro, a versão assinada por Evelyne Kesteven, integrante da Anthologie de la poésie portugaise du XIIe au XXe siècle, seleccionada por Isabel Meyrelles.

Há um estranho fenómeno que nos acontece: ainda que esqueçamos o título e o autor de uma obra que alguém recomendou, não se esquece a aura que acompanhou a recomendação.

HP