Revisitar | Descobrir Guerra Junqueiro


Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro

Enquanto projecto, o “Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro” terminou na noite de 15 de Novembro de 2011, com a estreia da longa-metragem de documentário Nome de Guerra, a Viagem de Junqueiro, agora pelo circuito de festivais nacionais e internacionais.

Entre 2009 e 2011, fase após fase, pelo cruzamento de uma multiplicidade de linguagens artísticas e uma extraordinária sinergia de esforços, outros produtos foram sendo desenvolvidos e realizados:

É verdade que os Poetas não morrem, transpõem as fronteiras do tempo, continuando eternos e falantes na obra que lhes sobrevive. Terá este projecto suscitado a vontade de (re)ler e conhecer Guerra Junqueiro? Acreditamos que sim. Há provas disso.

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Mais um passo: À Volta de Junqueiro

No âmbito do Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro, e depois da bela edição de A Música de Junqueiro, um livro e CD duplo, há mais um livro na forja: À Volta de Junqueiro: Vida, Obra, Pensamento. Conversámos com o coordenador do projecto.

Prof. Henrique Manuel Pereira, À Volta de Junqueiro é um livro de entrevistas, não é verdade?

Exactamente, embora talvez devêssemos dizer antes um livro de conversas. Primeiro, porque as minhas intervenções extrapolam assumidamente os convencionais limites da pergunta num quadro de entrevista; depois, porque o processo chega a inverter-se, passando eu a inquirido. Trata-se de uma viagem pelos distintos universos temáticos em que o poeta Guerra Junqueiro, enquanto figura poliédrica, se moveu. Daí o título e subtítulo do livro.

Mas porquê sob a forma de entrevistas?

Recordo que todo o nosso projecto nasceu da vontade de realizar um documentário a que demos o título de Nome de Guerra, a Viagem de Junqueiro. No quadro desse documentário entrevistámos largas dezenas de destacadas personalidades, nacionais e estrangeiras. Desse conjunto, seleccionámos cerca de trinta entrevistas. Demos conta disso aos respectivos entrevistados e avançámos com a ideia de as reunir em livro, um formato talvez mais perdurável.

Como foi esse processo?

Longo!… Uma vez que todos os entrevistados aplaudiram a ideia, demos início a uma beneditina transcrição (da oralidade à escrita), seguida do envio dos textos a cada um dos interlocutores e do consequente vai e vem de revisões (algumas por via do correio tradicional…).

São, portanto, trinta conversas?

O livro reproduz e amplia mais precisamente vinte e oito conversas/entrevistas, a que acrescem um Prefácio e um Posfácio, assinados, respectivamente, pelos Professores Ângelo Alves e Eugénio Lisboa.

Que critério presidiu à escolha dos entrevistados?

Desde logo, que todos eles conhecessem bem o universo junqueiriano, seja pelo estudo da sua vida, obra ou pensamento, pela admiração, ou mesmo por laços familiares. Mas não houve propriamente um critério, procurámos, como disse, cobrir várias áreas (Literatura, Política, História, Religião, Filosofia, Arte e Ciência), bem como convocar olhares, desejavelmente não convergentes, de várias gerações e nacionalidades. Além de Portugal, também Espanha, Brasil e Suíça.

Não foi, certamente, fácil conseguir a colaboração de tantas figuras tão ilustres – a título de exemplo: Eduardo Lourenço, Mário Soares, D. Manuel Clemente, Maria Helena Rocha Pereira, Nuno Júdice…

O maior problema foi mesmo a gestão de agendas em função da disponibilidade de ambas as partes. Mas a tua pergunta faz realmente sentido. Não é banal, num mesmo livro, juntar personalidades tão renomadas Mas sabes porque não foi assim tão difícil? Porque tínhamos como retaguarda, além da minha investigação e trabalhos publicados, um capital social do qual nem sempre temos a devida consciência: o enorme prestígio da “marca” Universidade Católica Portuguesa. Por conseguinte, e em relação directa, também nos sentimos responsabilizados.

A Música de Junqueiro foi um enorme sucesso. Acredita que o À Volta de Junqueiro também o será?

São produtos completamente diferentes. Com A Música de Junqueiro, conseguimos aliar uma investigação rigorosa e exaustiva a uma roupagem fresca, fruto de uma pluralidade de linguagens. Teve grande visibilidade, cobriu um público vasto e heterogéneo. O ter tido distribuição com o jornal “Público” deu-lhe visibilidade, mas teve também bom acolhimento na imprensa, rádio e televisões nacionais. E se fizeres uma pesquisa, por exemplo, no Google, talvez fiques admirada com o número de réplicas e comentários simpáticos disseminados por sites e blogs, nacionais e estrangeiros. Por outro lado, vão saindo recensões críticas mais aprofundadas. Fiquei, melhor, ficámos todos, muito satisfeitos com o resultado.

A noite do lançamento, 17 de Novembro 2009, foi memorável e sentiu-se um enorme entusiasmo e cumplicidade em todos os participantes e mesmo nas pessoas que encheram o auditório Ilídio Pinho para assistir…

Sim, para mim, isso foi o melhor daquela noite. Quanto a este À volta de Junqueiro, é um trabalho bem mais solitário e quase circunscrito à palavra como veículo de abordagem. Estou todavia convencido de que será um marco importante no quadro do conhecimento e aprofundamento da personalidade de Guerra Junqueiro, bem como no seu processo de reabilitação.

Vendo de fora, parece que tudo vai acontecendo com grande facilidade, mas o desenvolvimento de um projecto desta envergadura terá dificuldades.

Tem algumas, sim. Repara, como disse, tudo isto começou com a ideia de realizar um documentário e tudo a ele se resumia. A equipa, com tarefas muito específicas e circunscritas (Marta Reis – Produção; Pedro Alves – Assistente de Realização; João Cordeiro – Som; António Morais – Fotografia), embora pequena, estava à altura do desafio. Começámos a trabalhar, a recolher e a tratar imagens, e surgiu a ideia de fazer uma Fotobiografia, depois um Site, depois um Blog; precisámos de música, e nasceu A Música de Junqueiro; debruçamo-nos sobre as entrevistas e nasceu este À volta de Junqueiro… tudo ratificado em equipa que, entretanto, se foi alargando (Carla Almeida – Design; José Rafael Vieira – Webdesign). Ou seja, o que começou por ser uma corrida de meio-fundo converteu-se numa exigente maratona, que vai sendo percorrida na mais absoluta gratuitidade, com tudo o que isso significa para quem, estando a começar a vida profissional, como sucede com vários elementos da equipa, tem já compromissos económicos. Por outro lado, nenhum de nós, por força de imperativos vários, pode dedicar-se exclusivamente a este projecto. Vamos avançando nos interstícios.

E há elementos da equipa que já não se encontram aqui pela Universidade e, portanto, a carga aumenta para quem fica….

É verdade, sim, mas é bom dizer que não estão por desinteresse ou abandono, mas porque a vida assim o exige: mestrados ou doutoramentos, vida profissional, etc. Ainda assim, encontram sempre forma de colaborar e de se tornarem presentes. Não obstante, integrámos um novo elemento. A nossa debilidade de base foi sempre a edição de vídeo. Por conseguinte, integrámos a Renata Ramos, aluna do 3º ano, e foi uma excelente “aquisição”. A Mafalda Castelo Branco está também a dar uma grande ajuda ao nível da produção.

Sei que têm também em preparação um DVD sobre a noite do lançamento/concerto de A Música de Junqueiro. Quer falar-nos dele?

Isso ainda era mais ou menos surpresa, Beatriz! Podemos falar dele daqui a uns dias?

De acordo, mas podemos adiantar a data do lançamento de À Volta de Junqueiro: Vida, Obra e Pensamento?

Isso podemos. Será no dia 21 de Maio, às 21h,30, na Universidade Católica do Porto, campus da Foz.

Maria Beatriz Ribeiro



A Música de Junqueiro – Reportagem Radiofónica

Olá a todos!

Eu sou o Pedro Moreira, e entrei nesta “Guerra” a propósito da cadeira de Rádio que frequentei neste 1º semestre que terminou. Para a avaliação desta unidade curricular tivemos que, entre muitas outras coisas, fazer uma reportagem. No início não sabia que tema abordar, depois o professor Henrique Manuel Pereira falou-me do projecto “Revisitar/descobrir Guerra Junqueiro” e, mais concretamente, do lançamento-concerto de A Música de Junqueiro. Ponderei, medi forças e assim foi…

No final de tarde, princípio de noite do dia 17 de Novembro, lancei-me ao trabalho em conjunto com o meu colega Henrique Sousa. Ele, aluno do 3º ano, tratou das operações de câmara, e eu ocupei-me do som e das entrevistas a todos os envolvidos.

Sou aluno do 1º ano, o meu horizonte de memória relativamente a eventos realizados nesta casa não é grande. Contudo, pelos ecos que fui ouvindo e pelo que eu próprio experienciei, acredito que aquela noite de 17 de Novembro foi um marco nas nossas realizações.

Mas melhor do que ler o mais que aqui poderia escrever é ouvir a reportagem radiofónica que preparei…

Pedro Moreira

(1º Ano, Som e Imagem – EA)

 



Boas Festas (2009)



In Pace – Finis

Com este Videoclip, realizado em arrojado plano-sequência pelo António Morais, encerrámos o lançamento-concerto de “A Música de Junqueiro” na noite de 17 de Nov.

Nas filmagens o A. Morais contou com Nuno Silva e Carlos Carvalho e na produção com Marta Reis e João Cordeiro, fazendo questão de agradecer ao Francisco Lobo.

Aqui se vê a dupla Noura (Andreia Rodrigues) e Raez (Rui Santos) com, nos coros, David Ferreira-DLK e Rute Marques. (Alguém me conseguirá dizer quem é o encapuçado do Scratch?)

No que toca à música, integra o CD2 de “A Música de Junqueiro” e deve créditos de Produção, Mistura e Master ao Pedro Ribeiro. Aliás, se bem se recordam, no texto que para ela escreveu, o Pedro fez esta afirmação: “Se Junqueiro fosse vivo e escrevesse sobre a realidade dos nossos dias ou mesmo se a sua obra fosse hoje mais conhecida, teria certamente uma legião de hip hoppers”. É bem possível que assim fosse.

A letra é, obviamente, de Guerra Junqueiro e encontra-se recolhida em Poesias Dispersas. Mal imaginaria o Poeta, quando a escreveu em 1889 – a propósito do livro “Tardes de Primavera”, do seu amigo Queirós Veloso –, que viria ela a dar suporte a estes ritmos…

(Desculpem, alguém saberá dizer-me quem é o encapuçado do Scratch, aquele que se vê lá ao fundo, de azul?)

HP



Conferência – Casa Museu Guerra Junqueiro
21 Setembro, 2008, 6:09 pm
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martaRealizou-se ontem, na Casa Museu Guerra Junqueiro (Porto), uma conferência subordinada ao tema Guerra Junqueiro, Peregrino da Unidade, proferida por Henrique Manuel S. Pereira, coordenador do nosso Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro.

Feita a apresentação do conferencista, por Manuel Graça, Chefe de Divisão Municipal de Museus da Câmara Municipal do Porto, Henrique Pereira, em cerca de duas horas, abordou a vida, obra e pensamento de Guerra Junqueiro (ilustre poeta, político, filósofo e coleccionador de arte). Foi um momento de verdadeira aprendizagem, durante o qual uma série de mitos, teimosamente colados a Guerra Junqueiro, foram sendo desmontados.

Aos olhos de quem ali compareceu emergiu um novo Guerra Junqueiro.

Marta Reis

 



Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro

Inaugura-se agora o que queremos seja um registo do revisitar/descobrir Guerra Junqueiro, projecto do Dep. Som e Imagem, Escola da Artes, U.C.P. (Porto), com coordenação e direcção científica de Henrique Manuel S. Pereira.

Revisitar? Sim, para quem já conheça Guerra Junqueiro. Além do mais, o Tempo, esse imenso mar, apaga peugadas no areal e na espuma escreve o destino dos homens e das coisas.

Descobrir? Também. Porque, por força da acção do Tempo (e outras), a memória se esbate, sendo os elos da nossa narrativa cultural remetidos ao silêncio. De entre os nascidos após a década de 70 do século passado, Guerra Junqueiro pouco mais será que um nome.

Seguindo o fio dos acontecimentos, esta aventura começou com a ideia de um documentário – Nome de Guerra, a Viagem de Junqueiro –, com o apoio do Álvaro Barbosa, coordenador do Departamento de Som e Imagem e a consequente formação de uma Equipa que o realizasse.

Aceitaram o desafio: Pedro Alves, com quem fiz um primeiro esboço do projecto, Marta Reis, João Cordeiro, António Morais, Carla Almeida, José Rafael Vieira. Conhecia-os bem, seja sob o ponto de vista pessoal, seja pela capacidade de trabalho, dinamismo e entusiasmo. Com ressalva para a Carla Almeida, todos foram meus alunos. Assumo, pois, um lugar-comum: é um privilégio tê-los a meu lado.

Sucede que todos eles nasceram após aquela década de 70. Por consequência, havia que, primeiro, dar a conhecer Guerra Junqueiro à própria Equipa. Somaram-se assim reuniões de trabalho conjunto.

Depois, numa rede de cumplicidades, outros se foram juntando a nós: colegas, alunos, ex-alunos, amigos, e/ou admiradores de Guerra Junqueiro.

Porquê Guerra Junqueiro e não qualquer outra personalidade? Há anos que o investigo, e à recorrente pergunta se é ele o meu poeta favorito, responderei que não. Ou seja, em rigor, não encontrei ainda resposta para aquele porquê. Há quem diga que não somos nós quem escolhe os autores/personalidades a estudar, sendo eles quem nos escolhe a nós. É possível, andamos no mistério e vivemos de sinais.

Nesta data, muitas horas de trabalho estão cumpridas: levantamento fotográfico, filmagens, entrevistas, largas centenas de e-mails e telefonemas, deslocações a Freixo de Espada à Cinta, Viana do Castelo, Coimbra, Lisboa, etc. (E só não fomos aos Açores ou à Suíça porque as nossas “pernas” não alcançam).

Se atrás usei a palavra “aventura”, não o fiz de forma arbitrária, conquanto ela comporte de constrangimentos, imponderáveis e risco. Nenhum dos elementos da Equipa pode, em exclusivo, dedicar-se a este Projecto, desenvolvido em absoluta gratuidade e, por imperativos profissionais, em paralelo com tantos outros compromissos.

Mas, como diria Sebastião da Gama*, esse outro extraordinário poeta e mestre na arte de ensinar, “pelo sonho é que vamos”:

“Chegamos? Não chegamos?

Haja ou não haja frutos,

Pelo sonho é que vamos.

[…]

Chegamos? Não – chegamos?

– Partimos. Vamos. Somos.”

Henrique Manuel Pereira

* Saber-se-á que Sebastião da Gama, na sua tese de licenciatura, sobre a poesia social no século XIX, se debruçou demoradamente sobre Guerra Junqueiro? Não há como conferir: Sebastião da Gama, “A dissertação de licenciatura: Apontamentos sobre a poesia social no século XIX”. In Idem, O segredo é amar. 4ª ed. Lisboa: Ed. Àtica, 1995, pp. 139-251, em especial no terceiro capítulo, a pp. 176-228.

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