Revisitar | Descobrir Guerra Junqueiro


“O fato novo do Sultão”

Ainda que tardiamente, devemos aqui registar a dramatização de um dos contos de Guerra Junqueiro que integra os seus Contos para a Infância. Embora publicados em 1877, acreditem que há ali grande potencial de representação.

Parabéns à Biblioteca da Fundação Alord, aos organizadores e, claro, aos actores!

Eis a notícia que recebemos:

“Como vem sendo hábito, esta Biblioteca celebrou mais um aniversário no passado dia 3 de Dezembro.

Para assinalar a efeméride, organizou um espetáculo onde se destacou a dramatização do conto de Guerra Junqueiro “O Fato Novo do Sultão”, com encenação de Eugénia Gonçalves e Ana Ferreira e interpretação dos alunos da EB1 de Parteira.

Esta dramatização inseriu-se na homenagem ao escritor Guerra Junqueiro iniciada no passado mês de Outubro, pela Fundação A LORD, em colaboração com a Escola das Artes da Universidade Católica do Porto (UCP) e no âmbito do projecto Revisitar / Descobrir Guerra Junqueiro e do programa das Comemorações do Centenário da República.

Parabéns aos jovens participantes pelo seu desempenho nesta pequena peça que os presentes aplaudiram vivamente.”

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Boas Festas 2011

“[…] É! As coisas mesmo importantes acontecem assim: a gente só sabe já elas chegaram sem dizerem nada. Os milagres estão sempre a acontecer. Nós não os vemos porque não os esperamos. Ainda assim acontecem.

Somos descrentes. Mexemos muito os olhos. Levamo-los de um lado para outro. Os olhos é preciso demorá-los. Então vê-se bem a beleza, as coisas aí, na sua realidade, no chão, no ar, sempre a nascer, a ressurgir. O milagre entrou dentro de nós.

É como as mães. De repente notam que têm um menino dentro delas. Ele já lá estava, mas elas não sabiam. As coisas importantes da vida chegam sempre assim, infantis, meninalmente”.

(L. Silva Pereira, De Natal em Natal. Braga: APPACDM, 1993, p. 35). Imagem de Urbano, “Os Primeiros Frutos 1999-2000”)

 Um Natal com a luz e a medida dos sonhos de cada um.

(A Equipa do Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro).

(Não estranhem que não usemos a poesia de “Natal” que Guerra Junqueiro recolheu em Poesias Dispersas. Já por duas vezes, quer sob a forma de animação quer com imagem e texto, aqui a partilhamos. Será uma questão de viajar pelo tempo deste blog)



Nome de Guerra, a Viagem de Junqueiro – Livro e DVD

 

 

 

 

 

 

 

Não o dissemos ainda, e, lembram os amigos, é bom que o digamos: na noite da estreia da longa-metragem de documentário Nome de Guerra, a Viagem de Junqueiro, lançamos também o livro homónimo Nome de Guerra, a Viagem de Junqueiro: O Documentário. Olhares e Argumento. Porto: Católica. Porto, 2011, 128pp. ISBN: 978-989-8366-20-7.

Índice:

 

 

Já agora, até porque pode dar-se o caso de alguém precisar ainda de uma prenda, será bom dizer que quer o DVD do documentário quer o Livro, se encontram já à venda nas livrarias dos grupos FNAC, Bertrand e Almedina.

 

Frente e verso da capa do DVD:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Impressões sobre a “Música de Junqueiro”

Como sabem, este blog circunscreve-se ao universo Guerra Junqueiro e mais especificamente ao Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro.

Que o nosso projecto cruzou fronteiras (tendo chegado a Espanha, Suíça, Brasil, França, Itália, Macau e, imagine-se, Rússia!) já o sabíamos de fonte segura e com inegável satisfação.

Porque há um tempo para cada coisa, um tempo para semear e um tempo para colher, como lembra Eclesiastes, e porque todos os dias trazem sua surpresa, fomos hoje surpreendidos com o texto “A Música de Junqueiro” – A Música para Junqueiro, integrado no livro Impressões Sobre a Música Portuguesa (ISBN 978-989-26-0119-9) do professor e pianista José Eduardo Martins.

Tratando-se de um reputado Autor brasileiro, natural de S. Paulo, o volume foi editado pela Imprensa da Universidade de Coimbra e reúne artigos académicos e textos publicados em França, Portugal e Brasil, desde 1992 até 2011. Além do mais, faz-se acompanhar de um belo CD (e será talvez o 22º gravado pelo Autor) com 40 temas de Carlos Seixas, Francisco de Lacerda, Fernando Lopes-Graça e Jorge Peixinho.

Pois, José Eduardo Martins – Doctor Honoris Causa pela Universidade Constantin Brancusi da Roménia e Académico Honorário da Academia Brasileira de Música – concede, em Impressões sobre a Música Portuguesa, generosas apreciações e páginas a A Música de Junqueiro (livro com CD duplo. UCP, Escolas das Artes, 2009). Por exemplo:

Trata-se de uma obra fundamental para o conhecimento não apenas de uma característica poético-musical do grande poeta e escritor, mas também para a compreensão de todo um processo que leva o compositor a buscar poemas que emanem “sonoridades”. Tão mais sonoros são os versos junqueirinos quão mais entendemos que, ao longo de um século, apesar de toda a trajectória da escrita composicional, os poemas de Junqueiro jamais deixaram de interessar aos músicos. Torna-se evidente que a visitação constante, na maior parte constituída de compositores expressivos, é inequívoca presença dessa imanência musical nos poemas de Guerra Junqueiro. E, bem mais adiante (p. 261), termina: Modelo a ser seguido. Assim seja, dizemos nós.

Dispensam-nos de dizer que não foi “encomenda”, pois que nem sequer temos a honra de conhecer o Autor de Impressões sobre a Música Portuguesa. O livro foi publicado na colecção “Documentos” da Imprensa de Coimbra e, para nós, é de um verdadeiro documento que se trata. O nosso reconhecimento.

http://www.uc.pt/imprensa_uc/catalogo/documentos/impressoes



A Sátira de Guerra Junqueiro

Há muito que andávamos para apresentar aqui A Sátira na Poesia Portuguesa, e a Poesia Satírica de Nicolau Tolentino, Guerra Junqueiro e Alexandre Herculano da autoria de Carlos Nogueira (ISBN 978-972-31-1364-8).

Dispensando-nos de explicar o óbvio, e de dizer que a sátira é assunto sério, diremos apenas que se trata de um trabalho de fundo absolutamente singular, desenvolvido ao longo de 828 páginas, pautado pela hermenêutica lúcida, pelo rigor e generosidade documental. Por tudo isso se justifica o precioso e beneditino índice onomástico que fecha o volume recentemente (e em boa hora!) editado pela Fundação Calouste Gulbenkian / Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

Qual o método adoptado? O Autor o explica: “em primeiro lugar, análise da evolução diacrónica da sátira lírica portuguesa e do concreto das suas sincronias socioculturais; em segundo lugar, abordagem crítica simultaneamente comparatista e disjuntiva de três autores radicalmente diferente, tanto nas paixões intrínsecas e secretas como na textualidade satírica que materializa essa índole, mas irmanados pelo mesmo desejo de transformação ética e estética do real”.

Há uma outra razão, e esta do foro mais íntimo, para trazer aqui este monumental trabalho: o seu Autor, Carlos Nogueira (Professor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa) deu um significativo contributo ao nosso Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro. Assim, podemos lê-lo em À Volta de Junqueiro, Vida, Obra e Pensamento (2010) e podemos vê-lo e ouvi-lo em Nome de Guerra, a Viagem de Junqueiro (2011). Obviamente que nos sentimos muito honrados e gratos.



Cumplicidades

É verdade que as cumplicidades são secretas, mas algumas não só podem como devem ser públicas. É o caso da de João Carlos. Desafiamo-lo a fazer um retrato sobre Guerra Junqueiro e o resultado – com base em fotografias e na obra do poeta – é o que abaixo se mostra. Fosse apenas pelos (novos) amigos que congregou e o projecto Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro teria valido o esforço!

Houve quem manifestasse interesse em adquirir algumas pinturas. Dizer que ficámos muito contentes com isso pode parecer frase de efeito. Como não o é, fica dito.

 João Carlos (João Carlos Sousa Dias Ferreira) nasceu em Trancoso em 6 de Maio 1949 e licenciou-se em Engenharia Civil pela Universidade do Porto (FEUP), em 1974. Cedo começou a dedicar-se à pintura, encontrando nela “a linguagem em que exterioriza a ruptura do quotidiano, sem qualquer outra preocupação que não seja a de pintar”. Realizou várias exposições individuais e colectivas, estando a maioria da sua obra em colecções particulares.

 A Catarina Guiomar e Ana Pichel, fotógrafas cujo nome importa registar, o nosso muito obrigado.

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Nome de Guerra, a Viagem de Junqueiro (O filme.02)

Nome de Guerra, a Viagem de Junqueiro é um documentário sob a forma de longa-metragem, em 90m, produzido pela Escola das Artes (UCP-Porto), com realização de Henrique Manuel Pereira.

Nome de Guerra, a Viagem de Junqueiro percorre a vida e as polémicas, a obra, o pensamento e o extraordinário legado cultural de Guerra Junqueiro.
Resulta de mais de 100 horas de filmagens, de 30 horas de entrevistas (com estudiosos, admiradores, familiares e conterrâneos de Guerra Junqueiro), e de uma exaustiva recolha de material de arquivo fílmico, fotográfico, sonoro, bibliográfico/iconográfico, feita dentro e fora do país.
Assumindo Guerra Junqueiro o papel de narrador, pela voz de Fernando Alves, a Banda Sonora do filme é integralmente construída com músicas compostas sobre ou inspiradas na obra do Poeta

Entre as mais de 50 personalidades que depõem em Nome de Guerra, a Viagem de Junqueiro, contam-se: Eduardo Lourenço, Mário Soares, D. Manuel Clemente, Maria Helena da Rocha Pereira, Nuno Júdice, António Cândido Franco, José Carlos Seabra Pereira, Miguel Real, Manuel Ferreira Patrício, Elias Torres Feijó, Hilary Philip Reader, Reto Monico, Edivaldo Boaventura…

Participações especiais: Eunice Muñoz, Ruy de Carvalho, Manoel de Oliveira, Pedro Abrunhosa.

Realização: Henrique Manuel Pereira
Assistente de realização: Pedro Alves
Produção: Escola das Artes (Marta Reis, Henrique Manuel Pereira)
Direcção de Fotografia: António Morais, Pedro Alves
Design de Som: João Cordeiro
Locução: Fernando Alves
Montagem: Renata Ramos
Design Gráfico: Ida Cruz

Nome de Guerra, a Viagem de Junqueiro estreia a 15 de Novembro, às 21h30, no auditório Ilídio Pinho da Universidade Católica Porto, campus da Foz.



À Mocidade das Escolas

Na noite do lançamento do livro duplo Fiel / Na Feira da Ladra (História de um Piano), logo depois de “A Moleirinha”, e antes da saudação de Francisco Leal, o Orfeão A LORD interpretou “À Mocidade das Escolas”, uma vez mais sob a regência do maestro Luís Monteiro.
Datada de 8 de Dezembro de 1890, em plena efervescência decorrente do Ultimatum inglês, “À Mocidade das Escolas” é a 12ª composição que dá corpo ao livro Finis Patriae.

Câmara: Bruno Lopes, Pedro Rocha, Gonçalo Santiago
Edição: Gonçalo Santiago



Moleirinha: Abertura

Abertura da noite de 1 de Outubro na Fundação A LORD.
Na assistência, muitas pessoas sabiam de cor este poema. Não admira, tanto mais que era texto obrigatório nas selectas desde os finais dos anos 20 do século XX.

A octogenária e sorridente Moleirinha é minhota e faz parte de Os Simples (1892). Sobre este livro escreveu Guerra Junqueiro:

“Quis mentalmente viver a vida singela e primitiva de boas e santas criaturas, que atravessam um mundo de miséria e de injustiças, de vícios e de crimes, de fomes e de tormentos, sem um olhar de medição para a natureza, sem uma palavra de queixume para o destino. E então encarnei, por assim dizer, no pastor grandioso e asceta, na moleirinha octogenária e sorridente, no cavador trágico, nos mendigos bíblicos, na mansidão dos bois arroteando os campos e nas lavaredas d’oiro do castanheiro, aquecendo a velhice, alegrando a infância, iluminando a choupana.
E, depois de uma existência de sacrifício e de pureza, d’abnegação e de bondade, deitei esses ingénuos e pobres aldeões na terra misericordiosa e florida do campo-santo, pondo-lhes por cima das sepulturas rasas o Céu maravilhoso e cândido, que em vida sonharam e desejaram.
É claro que essas figuras não são inteiramente reais, da realidade estrita, efémera e tangível. Criei-as, ou antes, completei-as com a minha alma, com o meu próprio ideal.
Quem vir neste livrinho somente o lado externo e literário, a forma, a paisagem, a pintura rústica, não o entendeu, nem o soube ler.”

Câmara: Bruno Lopes, Pedro Rocha, Gonçalo Santiago
Edição: Gonçalo Santiago



Fiel/Na Feira da Ladra (História de um Piano) 2

Imagens da noite de 1 de Outubro, no Auditório da Fundação A LORD. Por aqui passam, além de alguns dos que connosco estiveram, Francisco Leal, Daniel Serrão, Henrique Manuel S. Pereira, Orfeão da Fundação A LORD, Joana Moreira e Joana Cristela.

Câmara e edição de Bruno Lopes.



Houdini Blues e Guerra Junqueiro

Entrou hoje no circuito comercial o 4º disco dos Houdini Blues. Tem por título Suão e trata-se, dizem, deum disco concebido como consequência de uma vida rodeada de calor, aridez, cânticos graves e velhos vestidos de luto”. Não duvidamos. Rumando a Sul, não é difícil vislumbrar um pouco de tudo isso na linha do horizonte.

Mas a que propósito entram aqui, neste blog hermeticamente circunscrito ao projecto “Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro”, os Houdini Blues? Entre várias outras razões, uma basta para o justificar: Suão integra dois temas com poemas de Guerra Junqueiro, a saber: “In Pace Finis” e “Divino Hugo”.

Parabéns, (e, Cristina, só para a ilustração e para o design vai, desde já, um caloroso aplauso)! Ouviremos o disco com atenção e seguramente com gosto.

http://www.houdiniblues.com/



Como chegar a Lordelo…

Eis então como chegar a Lordelo, no próximo sábado, dia 1 de Outubro (21h30). Clicar na imagem para ampliar:

Um abraço e até lá.



Convite



Fiel/ Na Feira da Ladra (História de um piano)

Dois em Um. Dois textos de Guerra Junqueiro quando jovem (1877-78).

O Fiel, poema narrativo em 151 versos, aqui ilustrado por Francisco Silva, é a história duma fidelidade canina.

Fidelidade, virtude complexa e difícil, leva dentro palavras, gestos e gratidão. Exige um passado com história(s), uma memória capaz de o conservar e uma vontade que o plante no futuro. Sendo verdadeira é, como o amor, prisão que liberta. Talvez por isso os casais felizes “são tão comoventes quando envelhecem, mais até do que os apaixonados principiantes que, muitas vezes, mais não fazem do que sonhar o seu amor”. Virtude conjugal por excelência, a fidelidade não é, portanto, exclusiva dessa relação.

 título: Fiel

autor: Guerra Junqueiro

 organização, estudo e notas:

Henrique Manuel S. Pereira

 nota de abertura: Francisco Leal

revisão do texto: Ana Maria Martins

 ilustrações: Francisco Silva

design gráfico: João Oliveira

edição: Fundação A LORD/ Escola das Artes (UCP. Porto)

tiragem: 1000 exemplares

data: Outubro 2011

isbn: 978-972-8845-15-5

depósito legal: 333362/11



Na Feira da Ladra (História de um piano)/ Fiel

Dois em Um. Dois textos de Guerra Junqueiro quando jovem (1877-78).

Escrito pelos 25 anos de idade e publicado pela primeira vez com carácter de Brinde aos Senhores Assignantes do Diario de Noticias em 1877, Junqueiro nunca recolheu este texto em publicações futuras, como fez com outros trabalhos, designadamente com o Fiel com quem aqui mora paredes-meias.

Irmanados pela mesma paternidade, escritos no mesmo período, dados a público por igual via e ambos com protagonistas que não humanos, talvez uma característica lhes tenha separado os destinos: Fiel nasceu sob o signo da poesia e a História de um Piano da prosa. Uma outra narrativa, com fotografias de Bruno Nacarato, percorre todo o livro.

título: Na Feira da Ladra (História de um Piano)

autor: Guerra Junqueiro

 organização, introdução e notas:

Henrique Manuel S. Pereira

 nota de abertura: Francisco Leal

revisão do texto: Ana Maria Martins

 fotografias: Bruno Nacarato

fotografia “meninas”: Henrique Manuel S. Pereira

design gráfico: João Oliveira

 edição: Fundação A LORD/ Escola das Artes (UCP. Porto)

tiragem: 1000 exemplares

data: Outubro 2011

isbn: 978-972-8845-15-5

depósito legal: 333362/11



“Não Linear”: Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro

No início deste ano, o Não Linear, espaço de programação televisiva produzido pela Escola das Artes da Universidade Católica do Porto, realizou uma entrevista com Henrique Manuel S. Pereira, coordenador do projecto “Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro”. Por ela passa muito do que, até então, se foi fazendo no âmbito do projecto.

 Emitido na RTP 2, o Não Linear apresenta os projetos audiovisuais mais inovadores e interessantes criados no âmbito do curso de Som e Imagem da Escola das Artes da Universidade Católica do Porto. Curtas-metragens de ficção, documentário, publicidade, cinema de animação e obras de arte digital preenchem o programa.

S03E11 (Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro) from Não Linear on Vimeo.

 Ficha Técnica: Direcção de Produção: Álvaro Barbosa; Câmaras: Luís Pedro Cardoso, Francisco Lobo; Som: Mafalda Rebelo; Entrevista: João Nuno Brochado Genérico Inicial: João Seabra; Pedro Marques, Maria João Neves, Ana Luísa Santos; Genérico Final: João Seabra, Pedro Marques; Edição e Grafismo: Francisco Lobo; Produção: Mafalda Rebelo; Realização: João Nuno Brochado



Nome de Guerra a Viagem de Junqueiro (Alord 1)

Desculpem-nos o silêncio, mas na verdade temos estado a trabalhar e, em breve, teremos mais novidades.
Entretanto, e dando início a uma nova etapa do “Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro”:

A Fundação A LORD, Lordelo (Paredes), associa-se à Escola das Artes da Universidade Católica do Porto para, no âmbito do projecto “Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro” e no quadro das comemorações do Centenário da República, prestar homenagem ao poeta de Os Simples e da Pátria.

Para o efeito, organiza, no próximo dia 01 de Outubro, pelas 21h30, uma homenagem ao poeta Guerra Junqueiro. Isto porque, como afirma Francisco Leal, Presidente da Fundação A LORD, “Guerra Junqueiro não é de Freixo de Espada à Cinta, onde nasceu, não é do Porto, que o adoptou, não é de Lisboa, onde repousa no Panteão Nacional, não é do Brasil que o idolatrou, não é de Espanha ou de qualquer outro espaço. Junqueiro é património da nossa cultura”.

A cerimónia decorrerá no auditório da Sede da Fundação A LORD e do programa fazem parte uma exposição, subordinada ao tema Nome de Guerra, a Viagem de Junqueiro, uma conferência homónima, proferida por Henrique Manuel S. Pereira, docente da Escola das Artes da Universidade Católica do Porto e coordenador do projecto “Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro”. A cerimónia conta ainda com apontamentos musicais (poesia de Guerra Junqueiro musicada), interpretados pelo Orfeão da Fundação A LORD e terá um dos momentos altos com o lançamento do livro duplo Fiel/Na Feira da Ladra (História de um Piano), cuja apresentação estará a cargo de Daniel Serrão, Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Desta forma, bem como no apoio dado ao documentário Nome de Guerra, a Viagem de Junqueiro, produzido pela Escola das Artes da Universidade Católica do Porto, a estrear proximamente, a Fundação A LORD prossegue o seu esforço de “democratização da cultura”.

Da exposição fazem parte: manuscritos, livros (primeiras edições), selos (dois alusivos ao centenário de Junqueiro), medalhas, bustos e quadros.



Como redescobri e visitei Guerra Junqueiro…

Guerra Junqueiro e Antero de Quental, pela duplicidade paradoxal de pensamento numa ascese de conhecimento de um plano mais terrenal à transcendência, inserem-se entre os escritores-pensadores que mais queridos me são na modernidade portuguesa. E quando, levado por curiosidade à Católica (no Porto) para ouvir dissertar sobre Junqueiro (que tem um texto dramático – Pátria – que é um dos meus 2 ou 3 sonhos maiores para encenar: os outros são um inédito inconcluso de Patrício e, talvez, O Rei Lear, portanto tudo sonhos inconquistáveis com os meios de que possa dispor) e me comecei a dar conta da dimensão e profundidade do projecto Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro em contexto científico e académico (para que não estou avalizado a muito mais do que abrir a boca de espanto e aprender), mais fascinado fiquei. Fascínio que se prolongou desde logo pela qualidade pragmática do mesmo projecto, envolvendo muita gente (a participar e a conhecê-lo) e uma variadíssima abordagem da obra e seu contexto de época e de fases da vida deste nosso grande entre grandes, muito grandes.

Nalgumas pequenas coisas, deu-me Henrique Manuel Pereira (coordenador do projecto, estimável como pessoa e imaculadamente rigoroso e conhecedor deste nosso “herói de e em letras” em causa) a possibilidade de participar, quer singularmente, quer em cooperação com a companhia profissional de teatro de Viana do Castelo, que tenho a honra e o prazer de dirigir artisticamente: o CDV – www.centrodramaticodeviana.com. Então, ao ver por dentro aquela mobilização jovem em torno de um homem também ainda bastante jovem, o Henrique, professor no mais lato e rico sentido do termo, passou a fazer parte, no meu entendimento de Universidade além de depósito e transmissão de saberes, do Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro um modelo que só lamento que não tenha “imitação” com outros nomes grandes, que, felizmente, é coisa que sobeja em Portugal, apesar das manias “estrangeiristas” de certa(s) intelectualidade(s).

Os Simples na Unidade do Ser, com Lágrima na Pátria ao som de um Melro e de A Moleirinha e de um Cavador, ao pressentir um Finis Patriae com Marcha de Ódio e na Viagem à Roda da Parvónia até à Evolução de o Regresso ao Lar para a Oração à Luz e ao Luar da Morena, deitada Sobre a Palha Loura na Canção Perdida fazendo Oração ao pão, falando À Mocidade das Escolas, com um Lírio Celeste… para não mais dizer do tanto mais que fica… Guerra Junqueiro é um balanço e afirmação de Portugal, que, de facto, vale a pena conhecer e revisitar.

Bem hajam! E prossigam, por favor…

Não é – e já seria imenso – só o autor nascido em Freixo-de-Espada-à-Cinta, que está em causa. Está também a tenacidade e a prova que, com ela e por ela, se vai além dos nossos Cabos das Tormentas: navegando no sonho e na sabedoria.

 Viana, Julho de 2011

Castro Guedes, Encenador

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1º solstício cénico: Uma noite de luxo

Foi um serão encantado, o da noite de 7 de Julho, em Viana do Castelo. Pudemos mais uma vez descobrir ou revisitar Guerra Junqueiro, desta vez no belíssimo Teatro Municipal Sá de Miranda, considerado pelos vianenses, o “luxo de Viana”.

 Foi um luxo assistir a mais um espectáculo que reuniu artistas da Escola das Artes da Universidade Católica do Porto e do Centro Dramático de Viana. A interpretação da “Moleirinha”, da “Morena” e do “Regresso ao Lar”, para apenas sublinhar três momentos, bem mereceram os fortes aplausos que encheram a Sala. E, até ao momento em que nos foram ali explicadas por Henrique Manuel Pereira, não fazia ideia das fortes ligações de Guerra Junqueiro a Viana do Castelo.

 Pessoalmente e porque participei na peça apresentada, Uma História Cómico-Marítima, essa noite foi algo mais do que assistir a um espectáculo que mereceu, sem dúvida, a Viagem Porto-Viana-Porto.

Pude constatar, uma vez mais, que o Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro, já com história, é um projecto de todos e para todos. Assim deve ser a cultura!

Francisca Basto



Uma história Cómico-Marítima – Vídeo

Quando o Professor Henrique me convidou para embarcar nesta aventura, já o projecto Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro navegava em águas bem profundas distantes da costa, com inúmeras descobertas e uma multidão de embarcados.

O objectivo era pontuar e acompanhar visualmente, através de um vídeo, a narrativa sonora de Uma História Cómico-Marítima.

Inicialmente, senti-me receoso. Por uma simples razão: sendo finalista, com o peso dos projectos finais, todo o tempo é pouco, e eu queria entregar-me totalmente à causa. Depois – geridos e organizados os calendários, em face do entusiasmo reinante em toda a equipa e fascinado pela vida e obra de Guerra Junqueiro – rapidamente a bruma que me envolvia se dissipou e eu, convicto, embarquei.
Não queria fugir à rota traçada. Por isso, comecei por recolher toda a informação, documentação e mood do projecto. Tinha a vantagem de já ter acompanhado, de certo modo, a criação e desenvolvimento da narrativa. Portanto, já tinha alguma bagagem.

Tratava-se de uma intervenção quase cirúrgica. Importava que o vídeo, representando fragmentos do que a narrativa celebrava, não nos distraísse dela, mas a fortalecesse e sublinhasse o excelente trabalho dos meus companheiros. Isso exigiu-me estudar e cuidar cada elemento meticulosamente.
Conhecer melhor Guerra Junqueiro e alguns dos embarcados neste gigante batel foi uma experiência que não tem preço, ao qual se soma o divertimento e a aprendizagem que retirei ao produzir o trabalho.

Ao Professor Henrique deixo um especial obrigado pela oportunidade, esperando que continue a contagiar com a sua energia, rigor e sentido de promoção dos outros.

Miguel da Santa



História Cómica-Marítima: Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro (Vídeo)

Texto: Francisca Basto

Narração: Castro Guedes

Design de Som: Ana Sofia Simões / Vasco Pucarinho

Música: Patrick Johansson

Instrumentos/Intérpretes: Cravo: Patrick Johansson; Flauta: Liliana Moreira; Guitarra Clássica: João Reis; Harpa: Patrick Johansson; Percussão: Patrick Johansson; Viola d’Arco: Marisa de Brito Taveira

Edição de Vídeo: Miguel da Santa

Realização: Henrique Manuel Pereira



Guerra Junqueiro: ainda o caso dos manuscritos

No dia seguinte à entrevista que no post abaixo se mostra, tive a oportunidade de analisar os supostos manuscritos de Guerra Junqueiro e, do meu ponto de vista, da montanha saiu mesmo um sorridente ratinho. Ou seja, estou convencido que, infelizmente, tinha razão (ver post 118).

Os documentos serão obviamente analisados por outras pessoas, mas não acredito que se encontre uma única que garanta que aquelas centenas de páginas foram manuscritas por Guerra Junqueiro.
É pena? Obviamente que sim.

Cabe aqui uma palavra a Antero Braga. Convicto da autenticidade dos textos, protegeu-os devidamente. Contrariando atitudes autistas, abriu-se a outras opiniões. Agradeço-lhe, pois, o ter-me facultado, com absoluta transparência e confiança, o acesso aos documentos. Segundo ele, foi outra pessoa (a que ofereceu os manuscritos e preferiu manter-se no anonimato) quem informou a Antena 1 do altissonante achamento. Depois, e em suma, nestas matérias, é fácil haver equívocos.

Há quem lamente o empolgamento que a generalidade da Comunicação Social (rádio, jornais, televisão, internet) deu ao caso. Todavia, olhando-o pela positiva, foi muito bom. Porquê? Porque a cotação de Guerra Junqueiro, de repente, subiu em flecha, sendo os seus textos classificados de “valor incalculável”.

Mas uma coisa é falar-se de um Autor, neste caso um poeta, outra, bem diferente, é que esse Autor seja lido. Terá o caso dos manuscritos contribuído para o aumento da leitura de Guerra Junqueiro? Tenho dúvidas, mesmo porque as suas obras, na generalidade meras reimpressões, dificilmente se encontram nas livrarias.
Em todo o caso, haverá por aqui matéria de reflexão.

Henrique Manuel Pereira



Manuscritos de Guerra Junqueiro?

Recentemente, foram entregues na Livraria Lello documentos manuscritos de valor incalculável. Há quem garanta terem sido escritos pelo punho do Poeta Guerra Junqueiro. Assim pensa Antero Braga, livreiro e proprietário daquela livraria. Há, porém, quem tenha reservas, é o caso de Henrique Manuel Pereira, coordenador do projecto Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro e docente da Universidade Católica do Porto. Estão ambos neste “Porto Alive” para falar sobre os referidos documentos. [19 Jul. 2011]

HP



1º Solstício Cénico em Viana: Filmagens

Há já algum tempo que ouvia falar deste projecto, Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro. Sabia que havia começado há mais de um ano, que envolvia um documentário, lançamentos de livros, concertos, cds, conferências e entrevistas a nomes sonantes da política, da cultura, das artes (confesso-me profunda admiradora de alguns deles: Manoel de Oliveira, etc.). Enfim, com tudo isto, e apesar de conhecer alguns dos envolvidos e responsáveis por este projecto, nunca me passou pela cabeça que, também eu haveria de fazer parte dele, ou de nele ter, pelo menos, uma pequena participação, por mais modesta que fosse (e que foi).

Foi por mero acaso, na verdade, que me vi envolvida neste enorme projecto. O professor Henrique Manuel Pereira perguntou-me se seria capaz de fazer umas filmagens para registo do espectáculo em Viana e eu, levada tanto pelo desejo de lhe provar que era capaz, como pela oportunidade de fazer algo pela primeira vez, visto que nunca tinha filmado um espectáculo ao vivo, aceitei imediatamente. Nunca imaginei, no entanto, que fosse tão, não digo difícil, mas fatigante fazer aquilo que fiz.

Sem shoulder mount ou tripé, tive de aguentar todo o espectáculo com a câmara na mão, e apesar de ter feito todos os possíveis para não tremer, apercebi-me logo que teria um longo trabalho de edição pela frente. Não sei sequer quanto tempo demorou o espectáculo, se uma hora, se duas, pois para mim cada minuto com a 7D na mão parecia uma eternidade, de tal forma, que em certos momentos (como no surpreendentemente longo discurso do professor Henrique, pouco menos de 10 min.) me vi mesmo obrigada a pousar a câmara por alguns segundos para descansar um pouco. Também a iluminação não ajudou, ou melhor, a falta dela.

Mas são todas estas pequenas limitações e dificuldades que nos ajudam a ganhar experiência e a aprender com os erros, e daí a importância de aproveitar oportunidades como esta, como eu fiz, e ainda bem.

Leonor Reis

(1º Ano, Som e Imagem. EA)



1º Solstício Cénico em Viana: Fecho

No âmbito do Revisitar Descobrir Guerra Junqueiro: 1º “Solstício Cénico em Viana”. Teatro Sá de Miranda, em 7 de Julho de 2011. Encerramento

Câmara e edição: Leonor Reis