Revisitar | Descobrir Guerra Junqueiro


Fiel/ Na Feira da Ladra (História de um piano)

Dois em Um. Dois textos de Guerra Junqueiro quando jovem (1877-78).

O Fiel, poema narrativo em 151 versos, aqui ilustrado por Francisco Silva, é a história duma fidelidade canina.

Fidelidade, virtude complexa e difícil, leva dentro palavras, gestos e gratidão. Exige um passado com história(s), uma memória capaz de o conservar e uma vontade que o plante no futuro. Sendo verdadeira é, como o amor, prisão que liberta. Talvez por isso os casais felizes “são tão comoventes quando envelhecem, mais até do que os apaixonados principiantes que, muitas vezes, mais não fazem do que sonhar o seu amor”. Virtude conjugal por excelência, a fidelidade não é, portanto, exclusiva dessa relação.

 título: Fiel

autor: Guerra Junqueiro

 organização, estudo e notas:

Henrique Manuel S. Pereira

 nota de abertura: Francisco Leal

revisão do texto: Ana Maria Martins

 ilustrações: Francisco Silva

design gráfico: João Oliveira

edição: Fundação A LORD/ Escola das Artes (UCP. Porto)

tiragem: 1000 exemplares

data: Outubro 2011

isbn: 978-972-8845-15-5

depósito legal: 333362/11



50 segundos – 600 desenhos de um cão

Na luz do seu olhar tão lânguido, tão doce,

Havia o que quer que fosse

Dum íntimo desgosto:

Era um cão ordinário, um pobre cão vadio…

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Dois Fiéis e nunca DesAnimados

Foi grande ingenuidade nossa pensarmos que esta experiência de Animação ia ser um trabalho rápido e eficiente. Conhecem a história do Fiel, de Guerra Junqueiro? É disso que se trata. No início, estava a Renata Ramos, o Francisco Silva e o Francisco Rodrigues. Juntos planearam, filmaram e stressaram. Para a Renata ficaram as decisões importantes das filmagens e a estreita comunicação com o Professor Henrique, para o Francisco Silva os cenários e para o Francisco Rodrigues a Animação.

O que parecia ser apenas uns pequenos clips de animação introduzidos num filme de imagem real depressa se revelou no oposto e foi com grande entusiasmo (mas) lentidão que o Francisco começou esta tarefa hercúlea.

A coisa não ia longe. Sucessivos adiamentos para o final do projecto, mais e mais cenas para fazer, começámos finalmente a perceber a dificuldade que é fazer um projecto de Animação 2D e porque é que aqueles senhores da Disney têm largas dezenas de animadores a trabalhar em simultâneo durante um período considerável de tempo.

Desesperado, o Francisco chama o Tiago. Alimentados a chocolate quente da máquina em frente à sala de 2D, uma escolha musical excepcional e variada e com uma dose de loucura (essencial para quem se decide meter nesta coisa da Animação) a carruagem começou finalmente a andar. Mas, por mais trabalho que se fizesse, algo não batia certo. Havia traços que não acertavam, cães que pareciam perus de gelatina a abanar ao vento e diferenças muito grandes no traço de um plano para o outro. Foi, pois, necessária uma reestruturação do estilo visual e do método de trabalho: desenhos maiores, trabalho em Photoshop e distribuição de enquadramentos específicos. E toda uma nova vida surgiu, íamos começar a andar a todo o gás! Mas claro, de repente, não fosse isto um projecto de Animação sério conduzido por duas pessoas cuja experiência combinada de Animação atingia uns estonteantes 60 segundos (para este Fiel de Guerra Junqueiro são 10 minutos de filme!), era inevitável de novo reajustar timings e formas!

E assim, nestas lides, se passaram dias e noites. Após um curto período de férias retomamos o trabalho a 16 de Agosto com toda a força para poder levar o “nosso” pequeno Fiel a bom porto. Querem saber? Pegamos às 10h e largamos às 18h (fora as horas extra), fazemos o trabalho de 5 pessoas e estamos felizes com isso! Uma experiência de crescimento no meio em que contamos vir a trabalhar o resto das nossas vidas que nos tem ensinado mais que muitas disciplinas juntas. Foi preciso reunir e discutir, ver trabalhos de outras pessoas, invejar a qualidade de outros e andar para a frente e para trás, tentando experimentar e definir o nosso estilo.

Estamos ambos muito gratos pela oportunidade que foi concedida a duas pessoas que ainda estão muito longe de chegar ao nível que queriam para este projecto. Gratos por poder provar que ainda se pode sonhar em 2D e que o trabalho que esta técnica exige (que acaba por afastar muitos desta pequena sala) não é impedimento para que nos lancemos ao trabalho conscientes, mas sem temer a sua dificuldade. Também agradecemos muito a confiança, paciência e apoio do Professor Henrique Pereira que sempre que passa pergunta pelo nosso “béu-béu” e não se cansa de ajudar-nos como pode.

Um dia, lá chegaremos! Está quase…

Felizes por poder colaborar,

Os “Fiéis” Tiago Cruz e Francisco Rodrigues

(alunos do 3º ano de Som e Imagem – EA)

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