Revisitar | Descobrir Guerra Junqueiro


Guerra Junqueiro: ainda o caso dos manuscritos

No dia seguinte à entrevista que no post abaixo se mostra, tive a oportunidade de analisar os supostos manuscritos de Guerra Junqueiro e, do meu ponto de vista, da montanha saiu mesmo um sorridente ratinho. Ou seja, estou convencido que, infelizmente, tinha razão (ver post 118).

Os documentos serão obviamente analisados por outras pessoas, mas não acredito que se encontre uma única que garanta que aquelas centenas de páginas foram manuscritas por Guerra Junqueiro.
É pena? Obviamente que sim.

Cabe aqui uma palavra a Antero Braga. Convicto da autenticidade dos textos, protegeu-os devidamente. Contrariando atitudes autistas, abriu-se a outras opiniões. Agradeço-lhe, pois, o ter-me facultado, com absoluta transparência e confiança, o acesso aos documentos. Segundo ele, foi outra pessoa (a que ofereceu os manuscritos e preferiu manter-se no anonimato) quem informou a Antena 1 do altissonante achamento. Depois, e em suma, nestas matérias, é fácil haver equívocos.

Há quem lamente o empolgamento que a generalidade da Comunicação Social (rádio, jornais, televisão, internet) deu ao caso. Todavia, olhando-o pela positiva, foi muito bom. Porquê? Porque a cotação de Guerra Junqueiro, de repente, subiu em flecha, sendo os seus textos classificados de “valor incalculável”.

Mas uma coisa é falar-se de um Autor, neste caso um poeta, outra, bem diferente, é que esse Autor seja lido. Terá o caso dos manuscritos contribuído para o aumento da leitura de Guerra Junqueiro? Tenho dúvidas, mesmo porque as suas obras, na generalidade meras reimpressões, dificilmente se encontram nas livrarias.
Em todo o caso, haverá por aqui matéria de reflexão.

Henrique Manuel Pereira