Revisitar | Descobrir Guerra Junqueiro


Como redescobri e visitei Guerra Junqueiro…

Guerra Junqueiro e Antero de Quental, pela duplicidade paradoxal de pensamento numa ascese de conhecimento de um plano mais terrenal à transcendência, inserem-se entre os escritores-pensadores que mais queridos me são na modernidade portuguesa. E quando, levado por curiosidade à Católica (no Porto) para ouvir dissertar sobre Junqueiro (que tem um texto dramático – Pátria – que é um dos meus 2 ou 3 sonhos maiores para encenar: os outros são um inédito inconcluso de Patrício e, talvez, O Rei Lear, portanto tudo sonhos inconquistáveis com os meios de que possa dispor) e me comecei a dar conta da dimensão e profundidade do projecto Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro em contexto científico e académico (para que não estou avalizado a muito mais do que abrir a boca de espanto e aprender), mais fascinado fiquei. Fascínio que se prolongou desde logo pela qualidade pragmática do mesmo projecto, envolvendo muita gente (a participar e a conhecê-lo) e uma variadíssima abordagem da obra e seu contexto de época e de fases da vida deste nosso grande entre grandes, muito grandes.

Nalgumas pequenas coisas, deu-me Henrique Manuel Pereira (coordenador do projecto, estimável como pessoa e imaculadamente rigoroso e conhecedor deste nosso “herói de e em letras” em causa) a possibilidade de participar, quer singularmente, quer em cooperação com a companhia profissional de teatro de Viana do Castelo, que tenho a honra e o prazer de dirigir artisticamente: o CDV – www.centrodramaticodeviana.com. Então, ao ver por dentro aquela mobilização jovem em torno de um homem também ainda bastante jovem, o Henrique, professor no mais lato e rico sentido do termo, passou a fazer parte, no meu entendimento de Universidade além de depósito e transmissão de saberes, do Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro um modelo que só lamento que não tenha “imitação” com outros nomes grandes, que, felizmente, é coisa que sobeja em Portugal, apesar das manias “estrangeiristas” de certa(s) intelectualidade(s).

Os Simples na Unidade do Ser, com Lágrima na Pátria ao som de um Melro e de A Moleirinha e de um Cavador, ao pressentir um Finis Patriae com Marcha de Ódio e na Viagem à Roda da Parvónia até à Evolução de o Regresso ao Lar para a Oração à Luz e ao Luar da Morena, deitada Sobre a Palha Loura na Canção Perdida fazendo Oração ao pão, falando À Mocidade das Escolas, com um Lírio Celeste… para não mais dizer do tanto mais que fica… Guerra Junqueiro é um balanço e afirmação de Portugal, que, de facto, vale a pena conhecer e revisitar.

Bem hajam! E prossigam, por favor…

Não é – e já seria imenso – só o autor nascido em Freixo-de-Espada-à-Cinta, que está em causa. Está também a tenacidade e a prova que, com ela e por ela, se vai além dos nossos Cabos das Tormentas: navegando no sonho e na sabedoria.

 Viana, Julho de 2011

Castro Guedes, Encenador

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