Revisitar | Descobrir Guerra Junqueiro


Revisitar Junqueiro em Madrid

De volta ao Porto, escrevo agora sobre a aventura junqueirina das minhas últimas 2 semanas em Madrid: a procura na Biblioteca Nacional de Espanha de jornais antigos espanhóis que mencionassem ou contivessem artigos, notícias ou referências a Guerra Junqueiro. Sobretudo os de referência de início do século XX, como o El Fígaro, El Sol, ABC, Heraldo de Madrid, El Liberal. Esta cruzada foi, claro está, orientada por referências e um mapa de busca traçado previamente pelo Henrique, tendo em vista o nosso documentário.

A imponência do edifício invade-nos a retina ainda antes de sabermos sequer que estamos perante a Biblioteca Nacional. Um edifício grande e grandioso, em plena Plaza del Cólon, não muito longe da Plaza Cibelles e do Parque do Retiro, locais que agitam a vida no centro da cidade. Para além da Biblioteca, funciona no mesmo edifício o seu Museu, a principal atracção para quem turisticamente o visita.

Ao entrar na Biblioteca, as barreiras de segurança são mais do que as que julgava alguma vez encontrar. Um posto de atendimento, direccionamento do visitante-leitor e segurança; uma máquina (e respectivo operador) de detecção de metais, ao bom estilo de um aeroporto; cacifos junto a um outro posto de segurança na porta de entrada para a Biblioteca onde deixamos tudo menos o essencial (e mesmo as folhas, canetas, pen drives e portáteis são vistoriados). Passamos então à identificação e preeenchimento do nosso cartão de leitor, ficando «listos» (prontos) para nos dirigirmos ao quarto piso e iniciarmos a nossa procura.

Quase todos os jornais que consultei estavam em suporte de microfilme; a excepção foi o ABC, que se encontrava já digitalizado. A requisição das películas é feita de forma detalhada: preenchimento de fichas, identificação do leitor e atribuição de uma máquina para visionar os microfilmes. Depois o técnico vai buscá-los aos armários onde são conservados e etiquetados com grande cuidado. Finalmente chegam os microfilmes, 3 de cada vez (o máximo permitido).

Fiquei admirado. Mesmo estando dentro do projecto e partilhando da admiração da equipa por Guerra Junqueiro, surpreendeu-me a quantidade e qualidade das notícias e artigos encontrados. Guerra Junqueiro era uma figura inegavelmente reconhecida em Espanha: “el gran poeta”, “príncipe de la poesia de la Ibéria”, são algumas das expressões que lhe são atribuídas em muitos dos artigos. Inclusive por autores tão reconhecidos como Miguel de Unamuno. Chegamos a ter um jornal de tendência monárquica, o ABC, a dedicar artigos de 2 páginas a um personagem republicano como Guerra Junqueiro. E o tipo de jornalismo impresso é simpático (e justo, diga-se) para com o Poeta. Se cá dentro e lá fora o seu reconhecimento na sua época é indiscutível, não há razão para que não seja exaltado, revisitado e redescoberto nos dias de hoje com a mesma intensidade.

Pedro Alves

29 de Junho de 2009

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