Revisitar | Descobrir Guerra Junqueiro


Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro

Inaugura-se agora o que queremos seja um registo do revisitar/descobrir Guerra Junqueiro, projecto do Dep. Som e Imagem, Escola da Artes, U.C.P. (Porto), com coordenação e direcção científica de Henrique Manuel S. Pereira.

Revisitar? Sim, para quem já conheça Guerra Junqueiro. Além do mais, o Tempo, esse imenso mar, apaga peugadas no areal e na espuma escreve o destino dos homens e das coisas.

Descobrir? Também. Porque, por força da acção do Tempo (e outras), a memória se esbate, sendo os elos da nossa narrativa cultural remetidos ao silêncio. De entre os nascidos após a década de 70 do século passado, Guerra Junqueiro pouco mais será que um nome.

Seguindo o fio dos acontecimentos, esta aventura começou com a ideia de um documentário – Nome de Guerra, a Viagem de Junqueiro –, com o apoio do Álvaro Barbosa, coordenador do Departamento de Som e Imagem e a consequente formação de uma Equipa que o realizasse.

Aceitaram o desafio: Pedro Alves, com quem fiz um primeiro esboço do projecto, Marta Reis, João Cordeiro, António Morais, Carla Almeida, José Rafael Vieira. Conhecia-os bem, seja sob o ponto de vista pessoal, seja pela capacidade de trabalho, dinamismo e entusiasmo. Com ressalva para a Carla Almeida, todos foram meus alunos. Assumo, pois, um lugar-comum: é um privilégio tê-los a meu lado.

Sucede que todos eles nasceram após aquela década de 70. Por consequência, havia que, primeiro, dar a conhecer Guerra Junqueiro à própria Equipa. Somaram-se assim reuniões de trabalho conjunto.

Depois, numa rede de cumplicidades, outros se foram juntando a nós: colegas, alunos, ex-alunos, amigos, e/ou admiradores de Guerra Junqueiro.

Porquê Guerra Junqueiro e não qualquer outra personalidade? Há anos que o investigo, e à recorrente pergunta se é ele o meu poeta favorito, responderei que não. Ou seja, em rigor, não encontrei ainda resposta para aquele porquê. Há quem diga que não somos nós quem escolhe os autores/personalidades a estudar, sendo eles quem nos escolhe a nós. É possível, andamos no mistério e vivemos de sinais.

Nesta data, muitas horas de trabalho estão cumpridas: levantamento fotográfico, filmagens, entrevistas, largas centenas de e-mails e telefonemas, deslocações a Freixo de Espada à Cinta, Viana do Castelo, Coimbra, Lisboa, etc. (E só não fomos aos Açores ou à Suíça porque as nossas “pernas” não alcançam).

Se atrás usei a palavra “aventura”, não o fiz de forma arbitrária, conquanto ela comporte de constrangimentos, imponderáveis e risco. Nenhum dos elementos da Equipa pode, em exclusivo, dedicar-se a este Projecto, desenvolvido em absoluta gratuidade e, por imperativos profissionais, em paralelo com tantos outros compromissos.

Mas, como diria Sebastião da Gama*, esse outro extraordinário poeta e mestre na arte de ensinar, “pelo sonho é que vamos”:

“Chegamos? Não chegamos?

Haja ou não haja frutos,

Pelo sonho é que vamos.

[…]

Chegamos? Não – chegamos?

– Partimos. Vamos. Somos.”

Henrique Manuel Pereira

* Saber-se-á que Sebastião da Gama, na sua tese de licenciatura, sobre a poesia social no século XIX, se debruçou demoradamente sobre Guerra Junqueiro? Não há como conferir: Sebastião da Gama, “A dissertação de licenciatura: Apontamentos sobre a poesia social no século XIX”. In Idem, O segredo é amar. 4ª ed. Lisboa: Ed. Àtica, 1995, pp. 139-251, em especial no terceiro capítulo, a pp. 176-228.

reuniao2reuniao4reuniao5reuniao3

Anúncios

6 comentários so far
Deixe um comentário

Parabens por este maravilhoso projecto, onde se vê dedicação, empenho e acima de tudo um grande trabalho de equipa!

Comentar por Andreia Rodrigues

Ainda não decidi, se acaso existe ou não, mas… foi à sua boleia que aqui vim parar. Foi-me gratificante ver o maravilhoso projecto de equipe sobre o meu poeta preferido. Sou Junqueirista até à medula.Parabéns,vale a pena não deixar caír no esquecimento Poetas como este.

Comentar por IolandaBragançaDuarte

Trabalho belíssimo, cheio de alma e saber. Inspirador. Respira-se nele a melodia da palavra, e viajamos numa outra profundidade das músicas.
Lembrar «A Moleirinha» de Guerra Junqueiro faz-me transbordar nos olhos a infância. Em tudo se percebe um verdadeiro empenhamento e trabalho de equipa.
Pelo Dr. Henrique Manuel vimos conhecendo, de há muito, a Palavra transbordante de Beleza, abrindo o espírito ao conhecimento que nos aproxima. A este Professor e a quantos dedicaram a esta página o seu tempo e saber, Parabéns!

Comentar por Helena Maria C.L. Oliveira

Bom trabalho! Deveras gratificante.

Comentar por Rui Justino

De todos os interessantíssimos posts divulgados neste blog, não poderia deixar de comentar o primeiro, por ser este o rosto e a apresentação de todo este projecto. Antes de mais, parabéns a toda a equipa que faz dele presente e visível e o transporta do mundo das ideias para o da realidade: é bom saber que existe um projecto que contém nele um ideário tão grande de significados. Destaco o facto do Professor Henrique, coordenador de todo o projecto, ainda andar à procura do porquê de Guerra Junqueiro – leio aqui uma dedicação imensa, uma procura de respostas, uma aprendizagem constante mais do que a mera satisfação que poderia ser trabalhar num outro poeta que fosse o preferido ou um deles: acho isso fantástico. Motivo pelo qual me faz dar novamente os parabéns a este projecto: a dedicação visível consegue elevar-se aos decerto horários atribulados da vida.
Não poderia finalizar o meu comentário sem esta passagem tão deliciosa de Sebatião da Gama, em que se lê: “Partimos. Vamos. Somos.” Que seja o mote para que este projecto seja cada vez mais.

Comentar por Ines Torres

Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro é, a meu ver, duplamente fantástico: salva do afogamento o nome de um grande homem que foi esquecido neste “imenso mar que é o Tempo” e, ao mesmo tempo, serve como uma fonte inspiradora!
Admito que, até há pouco tempo atrás, infelizmente inseria-me no grupo dos “Guerra Junqueiro pouco mais será que um nome.” Mas graças a este projecto, descubro cada vez mais o poeta.
Para além disso, o facto desta ideia ter partido de um grupo de alunos/docentes é deveras inspiradora para qualquer um de nós: demonstra como podemos construir algo grandioso a partir do zero, tal como fez a equipa de Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro. Parabéns!

Comentar por David Antunes




Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s



%d bloggers like this: