Revisitar | Descobrir Guerra Junqueiro


100 anos de República – Guerra Junqueiro
4 Fevereiro, 2010, 12:35 am
Arquivado em: 55 100 anos de República - Guerra Junqueiro

Ficamos contentes quando alguém nos faz saber que está solidário. Isto a propósito dos exclamativos e-mails que, desde o passado domingo, nos têm chegado.

Por acaso (ou melhor, em boa verdade tínhamos um certo feeling…), também nós tivemos oportunidade de acompanhar as cerimónias da abertura oficial das Comemorações do Centenário da República no Porto a 31 de Jan. 2010. Não obstante, significamos a nossa gratidão a quantos, por e-mail, no-lo assinalaram.

Quando nos lançámos a Revisitar/descobrir Guerra Junqueiro tínhamos por horizonte alguns objectivos. Desde logo, abrir, pelo som, pela imagem e pela palavra as nuvens quietas dos preconceitos para resgatar um Poeta-pensador da bruma da amnésia colectiva. Partimos convictos de que “hoje” seria possível, porque o Tempo sempre abre fronteiras interditas, tempera preconceitos e juízos. Todavia, como se sabe, o Tempo raramente actua por revolução e quase sempre o faz por demorada e lenta evolução. Ver-se-á.

Quando, no passado mês de Novembro lançámos A Música de Junqueiro (livro com CD duplo) queríamos traduzir uma outra ideia: que este projecto configurasse uma antecipação e uma oportunidade ou pretexto para Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro ao longo de todo o ano de 2010. Na mesma data, lançamos uma colecção de 10 pequenos postais, nove deles com outras tantas caricaturas e frases de Guerra Junqueiro. Vejamos a frente e o verso do nº 5:

Já agora, citemos o parágrafo completo:

“Republicano e patriota tornaram-se sinónimos. Hoje quem diz pátria, diz república. Não uma república doutrinária, estupidamente jacobina, mas uma república larga, franca, nacional, onde caibam todos. Não dum partido, da nação. Presidente o melhor. Foi por acaso miguelista? Embora. Uma revolução por selecção de caracteres”.

O espaço não o permitia, mas agora sempre podemos dizer que a frase data de 1894. Guerra Junqueiro escreveu-a para prefácio ao livro Memória a José Falcão e retomou-a nas “Anotações” da Pátria (1896).

Por conseguinte, sim, além de confirmados na escolha da frase, foi com satisfação que ouvimos o actual Presidente da República citar o Poeta de Freixo de Espada à Cinta na abertura oficial das comemorações da República. Curioso é que, com desfasamento de pouco tempo, a mesma frase de Junqueiro era citada por um candidato à presidência da mesma República portuguesa

HP



Memórias de A Música de Junqueiro
2 Fevereiro, 2010, 8:40 pm
Arquivado em: 54 Memórias de A Música de Junqueiro

Olá!

Sou a Mafalda Castelo-Branco. Já estou na aventura “Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro” há algum tempo, tenho, porém, participado em trabalhos que me fazem passar despercebida, mais de bastidor, mas, julgo, igualmente importantes!

Felizmente, tive a oportunidade e a alegria de participar em alguns momentos da construção do lançamento-concerto de A Música de Junqueiro. Talvez por tudo isto – e porque são muitos os pedidos – o professor Henrique Manuel Pereira encarregou-me de transformar algumas das fotografias, numa recordação audiovisual daquilo que foi a noite do concerto. E que noite! “Desta forma”, disse-me ele, “fecharemos A Música de Junqueiro e passaremos à fase seguinte”.

Espero que o vídeo consiga transmitir alguma da magia que vivemos na noite de 17 de Novembro de 2009.

Mafalda Castelo-Branco

1º Ano de Mestrado em Televisão e Argumento

(Som e Imagem – EA-UCP)



A Música de Junqueiro – Reportagem Radiofónica

Olá a todos!

Eu sou o Pedro Moreira, e entrei nesta “Guerra” a propósito da cadeira de Rádio que frequentei neste 1º semestre que terminou. Para a avaliação desta unidade curricular tivemos que, entre muitas outras coisas, fazer uma reportagem. No início não sabia que tema abordar, depois o professor Henrique Manuel Pereira falou-me do projecto “Revisitar/descobrir Guerra Junqueiro” e, mais concretamente, do lançamento-concerto de A Música de Junqueiro. Ponderei, medi forças e assim foi…

No final de tarde, princípio de noite do dia 17 de Novembro, lancei-me ao trabalho em conjunto com o meu colega Henrique Sousa. Ele, aluno do 3º ano, tratou das operações de câmara, e eu ocupei-me do som e das entrevistas a todos os envolvidos.

Sou aluno do 1º ano, o meu horizonte de memória relativamente a eventos realizados nesta casa não é grande. Contudo, pelos ecos que fui ouvindo e pelo que eu próprio experienciei, acredito que aquela noite de 17 de Novembro foi um marco nas nossas realizações.

Mas melhor do que ler o mais que aqui poderia escrever é ouvir a reportagem radiofónica que preparei…

Pedro Moreira

(1º Ano, Som e Imagem – EA)

 



Boas Festas (2009)



Clube Literário do Porto #1

Embora num registo mais íntimo, foi um excelente final de tarde o que passámos no Clube Literário do Porto. O acolhimento, graças aos diligentes cuidados da Dr.ª Isabel Damião, irrepreensível. Reiteramos aqui a nossa gratidão.

Como previsto, a apresentação de A Música de Junqueiro, esteve desta vez a cargo do Prof. Daniel Serrão (têm presente aquela abertura de “O Melro” no lançamento de 17 de Novembro?). Bastava a sua presença para que nos sentíssemos honrados. Mais ainda ficámos com o que no Club Literário do Porto disse acerca do nosso livro e CD duplo. Bem-haja por mais este testemunho de serviço.

Da equipa do Revisitar/descobrir Guerra Junqueiro estiveram presentes Henrique Manuel Pereira (o qual, como coordenador do projecto, foi fazendo a ponte entre os vários momentos –, a Carla Almeida (Design Gráfico), a Marta Reis (Produção) – ambas falaram sucintamente do seu trabalho em A Música de Junqueiro – e o João Cordeiro. Em equipa decidimos que desta vez seria o João – que gravou 33 das 44 faixas do CD duplo, algumas delas com mais de 3 sessões de gravações e algumas com mais de 15 pessoas em simultâneo! – a ter a fatia de leão no uso da palavra. Assim foi, tendo ele o cuidado de ilustrar a sua apresentação com várias composições.

HP

A palavra ao João Cordeiro:

Durante a apresentação, falei do processo de gravação dos dois CDs que acompanham o livro, tarefa pela qual fiquei encarregue. Ao todo, somam-se 44 faixas áudio: um cd mais direccionado a revisitar a obra de compositores mais antigos, o outro destinado mais à descoberta de compositores contemporâneos.

Como temos dito, ambos descrevem um arco temporal de 1880 a 2009. Não sendo este um arco temporal muito alargado, serve, ainda assim, para estabelecer um interessante índice para quem procura acompanhar a evolução da história musical neste período; revelando, deste modo, a riqueza da dimensão musicológica do documento. Não só em termos da multiplicidade das linguagens e formas de expressão, como, e principalmente, na evolução destas ao longo do tempo.

Desta multiplicidade de estilos e formas de expressão, resulta inevitavelmente uma pluralidade de intérpretes e compositores com os quais tive o prazer de contactar de forma muito próxima. Desde professores de canto e piano (alguns deles nunca tinham tocado num computador) até músicos de Hip-Hop ou de música electrónica (cuja criação passa quase exclusivamente pelo recurso a este). Foi, portanto, para mim, uma grande oportunidade de aprendizagem proporcionada pelo contacto com diversas perspectivas musicais, cuja finalidade última é una: produzir música por caminhos são totalmente distintos.

Quanto ao processo gravação, não me alarguei em pormenores técnicos por não ser do interesse da audiência. Optei, antes, por sublinhar detalhes do processo que contribuíram para que o mesmo fosse árduo e por vezes fatigante. Um exemplo é o próprio local de gravação – as traseiras do palco do auditório Ilídio Pinho, escolhido pelas suas qualidades acústicas, de acessibilidade, disponibilidade e presença de piano. Ora, não sendo este um estúdio de gravação, surgiram sérios problemas com os quais não contávamos…

Além destes e outros exemplos, sublinhei a dificuldade extrema que foi conciliar a agenda com cantores, pianistas, auditório e material de gravação.

Por fim, referi que o trabalho final alcançado valeu todo o esforço e que me sinto muito orgulhoso por pertencer à equipa que o desenvolveu.

João Cordeiro

Após o lançamento de A Música de Junqueiro seguiu-se o do livro Catorze escritores do Norte, coordenado e ilustrado por Orlando da Silva e também ele apresentado pelo Prof. Daniel Serrão.



Clube Literário do Porto

A quantos connosco não estiveram na noite do dia 17 (U.C.P., Porto) nem na tarde do dia 22 (Fnac de Stª Catarina, Porto) e queiram estar; a quantos, tendo estado, queiram repetir.

A apresentação do livro e CD duplo será feita pelo Prof. Daniel Serrão.

Acto contínuo, no mesmo local, será também apresentada uma nova edição de Catorze Escritores do Norte, coordenado e ilustrado por Orlando da Silva. Este livro, já aqui referenciado (Vd. post 12), reúne estudos de vários especialistas sobre 14 escritores que têm como particularidade comum terem nascido e/ou vivido no Norte do País.



Ecos #7

A noite de 17 de Novembro deverá passar a ser recordada como uma noite singular para a comunidade da Universidade Católica do Porto e da Escola das Artes em particular. O evento “A música de Junqueiro” compilou de forma sublime uma série cuidada de abordagens artísticas e criativas objectivando um enérgico retrato documental da obra de Guerra Junqueiro. Os objectivos foram alcançados. Foi uma noite memorável!

Jaime Neves (Docente de Som e Imagem –EA)



Ecos #6

Revisitar e Descobrir Guerra Junqueiro é um projecto transversal e multidisciplinar que abrange vários domínios da produção criativa que constitui a imagem de marca da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa. A Obra de Junqueiro é extraordinariamente rica como fonte de inspiração e referência para diferentes linguagens artísticas e formatos criativos. Prova-o este extraordinário projecto por muitos já qualificado como “trabalho a vários níveis singular no quadro da cultura portuguesa.”

Por conseguinte, conhecendo a Equipa que o desenvolve, bem como os entusiasmos que vem gerando, não admira que dele resultem produtos de alta qualidade que passam pela palavra, música, design gráfico ou cinematografia seguindo distintas abordagens artísticas.

O primeiro passo foi dado na noite de  17 de Novembro de 2009 com o notável evento que assinalou o lançamento da primeira peça deste projecto –  “A Música de Junqueiro”.

Por economia de palavras direi apenas: parabéns pelo já feito e muita energia para realizar o prometido!

Álvaro Barbosa

Director do Departamento

de Som e Imagem da Escola das Artes



In Pace – Finis

Com este Videoclip, realizado em arrojado plano-sequência pelo António Morais, encerrámos o lançamento-concerto de “A Música de Junqueiro” na noite de 17 de Nov.

Nas filmagens o A. Morais contou com Nuno Silva e Carlos Carvalho e na produção com Marta Reis e João Cordeiro, fazendo questão de agradecer ao Francisco Lobo.

Aqui se vê a dupla Noura (Andreia Rodrigues) e Raez (Rui Santos) com, nos coros, David Ferreira-DLK e Rute Marques. (Alguém me conseguirá dizer quem é o encapuçado do Scratch?)

No que toca à música, integra o CD2 de “A Música de Junqueiro” e deve créditos de Produção, Mistura e Master ao Pedro Ribeiro. Aliás, se bem se recordam, no texto que para ela escreveu, o Pedro fez esta afirmação: “Se Junqueiro fosse vivo e escrevesse sobre a realidade dos nossos dias ou mesmo se a sua obra fosse hoje mais conhecida, teria certamente uma legião de hip hoppers”. É bem possível que assim fosse.

A letra é, obviamente, de Guerra Junqueiro e encontra-se recolhida em Poesias Dispersas. Mal imaginaria o Poeta, quando a escreveu em 1889 – a propósito do livro “Tardes de Primavera”, do seu amigo Queirós Veloso –, que viria ela a dar suporte a estes ritmos…

(Desculpem, alguém saberá dizer-me quem é o encapuçado do Scratch, aquele que se vê lá ao fundo, de azul?)

HP



“À Volta dos Livros” – Antena 1

Prometemos ir contando aqui a história desta aventura. Por conseguinte, nas ondas da Rádio, o “Revisitar/descobrir Guerra Junqueiro” contou com o apoio da Rádio Nova (Jornalista: Reis Mesquita. 13 Nov. 2009); Rádio Clube (Jornalista: Filipe Gomes. 16 Nov. 2009) e, mais recentemente, com a cumplicidade da Antena 1 (Jornalista: Ana Aranha. 3 Dez. 2009). As emissões de “À volta dos livros” de Ana Aranha encontram-se on-line:

http://ww1.rtp.pt/multimedia/index.php?prog=2499

HP

 



“Público” com “A Música de Junqueiro” #2

Registando-se uma extraordinária procura de A Música de Junqueiro (livro com CD duplo):

http://loja.publico.clix.pt/Publico/DetalheProduto.html?id=1492



Ecos #5

O dia 17 de Novembro, apresentação do livro e CD duplo A Música de Junqueiro, foi o primeiro acto público do “Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro. Consequentemente, foi o primeiro momento em que pudemos observar e sentir retorno do trabalho que temos vindo a realizar.

Penso que falo por toda a equipa quando digo que havia expectativa de que o Auditório da Escola da Artes enchesse mas não havia forma de saber ao certo o número de pessoas que viria. Muito antes da hora marcada para o espectáculo, já a entrada para o auditório estava bem composta e, de facto, conseguimos encher, melhor, abarrotar o enorme auditório Ilídio Pinho!

Foi uma noite muito bonita, com um espectáculo bem diverso e cheio de ritmo que, acredito, fez renascer a Obra de Guerra Junqueiro. Os ecos de muitos que nos acompanharam não permitem pensar de forma diferente.

Queria aqui deixar uma palavra de agradecimento a todos quantos estiveram presentes. Após o lançamento-concerto de “A Música de Junqueiro”, durante o Porto de Honra, com a bela actuação do Rancho Folclórico do Porto, foi possível sentir em primeira mão a entusiástica resposta ao evento que com tanto empenho realizámos. Obrigada.

Marta Reis



Obras de G. Junqueiro

Tratava-se de, em pouco mais de um minuto, apresentar os títulos da Obra de Guerra Junqueiro, mesmo os publicados postumamente. Lançámos o desafio à Renata Ramos. Sabendo ela que Beethoven era o compositor da preferência de Guerra Junqueiro, usou um excerto da abertura da Sinfonia Nº 6 em F major, Op. 68 ‘Pastoral’. Eis o resultado apresentado no lançamento-concerto de “A Música de Junqueiro”.

HP



Ecos #4
3 Dezembro, 2009, 11:32 pm
Arquivado em: 42 17 Nov. 09. Ecos #4 | Tags: ,

Depois de passadas duas semanas desde o evento “A Música de Junqueiro” – concerto de lançamento do livro+CDs homónimo -, esta é uma boa altura para um balanço da experiência e da vivência que o espectáculo trouxe.

Chegado de Espanha uns dias antes do dia D, não sabia muito de como as coisas haviam avançado desde que partira em Setembro e tinha poucas luzes das complexas organização e mobilização que estavam em marcha. Numa parte que me é próxima – a componente vídeo do concerto -, o trabalho estava já tremendamente adiantado e pronto a finalizar. Eu e a Mª João Marques encarregámo-nos disso. Quanto a aspectos de Produção, o primeiro reencontro com os vários membros da equipa foi num ensaio com “Os Gambozinos”. Um reencontro perfeito para retomar o trabalho com motivação, seriedade e “muchas ganas”. Daí até entrar dentro do alinhamento do concerto e ficar com a tarefa de colaborar novamente com a Mª João na gestão de backstage do evento foi um “tirinho”. Dentro deste cargo o que se vê é pouco (no palco), mas, ao mesmo tempo muito (os nervos, a preparação, a satisfação da  parte cumprida). Os ouvidos apreciaram mais, quer o evento quer as reacções finais. Muitos elogios, muitos parabéns, muitas considerações, muita satisfação. Do público, dos agentes institucionais, da equipa, de todos.

Um bom primeiro passo para a publicidade (nos seus vários sentidos) do projecto. E um grande passo, sem dúvida, para, social e culturalmente, retomarmos todos Junqueiro, hoje e sempre.

Pedro Alves 



Fnac com “A Música de Junqueiro” #2

Pois lá estivemos, no café-bar da Fnac de Stª Catarina (Porto). Levámos o nosso stand-up, umas quantas monofolhas do projecto, um quadro com a colecção de caricaturas junqueirinas e duas dezenas de livros. Tomámos assento e lá nos desatámos – Henrique Pereira, Marta Reis e Carla Almeida* – a falar de A Música de Junqueiro e do “Revisitar/descobrir Guerra Junqueiro”. Por detrás de nós, ininterruptamente, corria a animação realizada pela Leonor Ponte a partir da capa e miolo do livro; baixinho, tocava um dos CD’s de A Música de Junqueiro.

Uma feliz coincidência tornou possível que se juntassem à mesa dos apresentadores  o Daniel Marques (um dos ilustradores do livro) e a Marina Pacheco (uma das cantoras dos CD’s). De improviso, ali, no fio de um convite para eles inesperado, partilharam a sua experiência nesta aventura de “A Música de Junqueiro”.

Diante de nós, umas quatro dezenas de pessoas. Ao fundo, em pé, junto ao balcão, a espaços, mais uns quantos se iam juntando. A determinada altura a palavra salta da mesa para o público. E, querem saber? Além de algumas perguntas e felicitações (até por ser este um projecto realizado no âmbito da U.C.P.), houve quem começasse a dizer “O Melro” e quem recordasse algumas das muitas boutades e frases de espírito do Poeta.

Por cerca de duas horas Guerra Junqueiro habitou a Fnac de Santa Catarina no Porto. Quantos livros conseguimos vender? Segredo.

* Da Equipa só pudemos estar os três (o João Cordeiro andava absorvido com os “Olhares de Outono” e com o concerto dessa noite em S. Bento da Vitória; o Pedro Alves e o António Morais encontravam-se em Espanha; o Rafael Vieira lutava com a conclusão de um trabalho que não admitia adiamento).

HP



Fnac com “A Música de Junqueiro”

A quantos connosco não estiveram na noite do dia 17 e queiram estar; a quantos, tendo estado, queiram repetir.

(Aviso: qualquer semelhança com a noite do dia 17 na U.C.P. – Porto será pura ficção).



Abertura/Fecho

Animação em 3D com a assinatura de João Rema. Abriu e fechou o lançamento-concerto de “A Música de Junqueiro”.

HP

Agora em nome próprio:

A minha participação no projecto surgiu através de um pedido da Carla Almeida para a elaboração de um cartaz que contemplava uma componente gráfica em 3D. Depois de concluído o cartaz, a equipa do projecto propôs-me a criação de um separador vídeo que utilizasse os mesmos elementos gráficos previamente construídos para o cartaz. Como as primeiras tentativas não estavam a ter um resultado tão sólido como o cartaz, senti necessidade de repensar a estética do spot/separador. Acabei por me centrar na forte imagem central de Guerra Junqueiro, utilizada pelo projecto em diversos meios como no website ou em cartazes e tentei criar uma situação de imersão e absorção, que ilustrasse o sentimento e entrega de todos os participantes no projecto.

João Rema



Fiel (trailer)

Recordam-se do “Fiel”? (Talvez valha a pena conferir, mais adiante, os posts 19 e 21). Se a Disney já andava de olhos neles, agora, depois deste trailer apresentado no lançamento-concerto de “A Música de Junqueiro”, consta que ficou incondicionalmente rendida. Promete-se para breve o filme.

HP



Ecos #3

As luzes desceram, a sala ficou escura e o espectáculo começou. O nervoso miudinho que de mim se apoderara não é de todo estranho a quem anda nestas lides mas a música, a poesia e a dança lá foram desfilando, umas a seguir às próximas, alheias a tal intruso.

As luzes subiram, a sala clareou e os aplausos soaram. O nervoso, de súbito, transformara-se em qualquer outra coisa: um misto de euforia, orgulho, alegria e sentimento de dever cumprido.

O espectáculo resultou como tínhamos planeado, mas mais importante que isso o que tínhamos planeado demonstrou ter resultado.  Um dos espectadores disse-me que, pela primeira vez, tinha tido a sensação de não estar no sito onde estava; que auditório que tão bem conhecia se tinha transformado num palco ” a sério”. Pois tinha sido esse mesmo o nosso objectivo: fazer do lançamento de um livro um espectáculo a sério.

Espero que a audiência tenha desfrutado do momento e que possa relembrar o que foi esta noite ao ler o livro e ouvir os discos que então foram publicados.

João Cordeiro



Compassos de um Projecto (1/2)
17 Novembro, 2009, 11:14 pm
Arquivado em: 36 17 Nov. 09. Compassos de um projecto (1/2)

Algures mais abaixo (post 17, Nos bastidores de …) demos um excerto. Aqui o deixamos agora, tal qual o apresentámos no lançamento-concerto de “A Música de Junqueiro”.



Cavador

O Hélder Moreira e o Diogo Tudela falam dele no post anterior. Foi um dos vídeos que correu no hall de entrada, na noite do lançamento-concerto de “A Música de Junqueiro”.

HP



Tipografia cinética

Trabalhos desenvolvidos na unidade curricular de “Grafismo para Vídeo”, 1º ano de Mestrado de Som e Imagem, no âmbito do projecto Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro, pelos alunos: Ana Lima, Marta Santos, Pedro Cascalheira e Teresa Almeida. Apresentação: lançamento-concerto de “A Música de Junqueiro”.

HP



Fez-se moço e grande…

Pequena amostra da cumplicidade e desmedida generosidade de Ruy de Carvalho para com o Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro. Será necessário dizer quanto nos honra? A nossa gratidão. O texto é um excerto de “O Pastor” de Os Simples de Guerra Junqueiro. Um momento do lançamento-concerto de “A Música de Junqueiro”.

HP



Ecos #2

Creio que não me tinha dado conta do impacto e da dimensão do projecto até me ter sentado, confortavelmente, numa das cadeiras do Auditório Ilídio Pinho, onde se deu o lançamento de “A Música de Junqueiro”. Perdi apenas o inicio, por ter estado a apoiar a produção na banca de vendas e cheguei a tempo da declamação de António Capelo, acompanhado/musicado por Francisco Rua. Comecei logo por adorar! Espero não estar a ser lamechas, mas estava a ficar verdadeiramente emocionada e apaixonada por aquela noite. Confesso que estava atenta ao que me rodeava: os gambozinos, inquietantemente sossegados à espera da sua vez de actuar; o João Cordeiro na régie com mil olhos a controlar tudo; um senhor, umas cadeiras abaixo, que olhava para o palco com atitude crítica; e uma senhora do meu lado, que folheava o livro de trás para a frente atenta aos detalhes. Eu sentia-me um pouco cada uma destas pessoas, mas a querer desfrutar o momento. E assim o fiz, segui cada passo da noite cada vez mais orgulhosa do que ali tínhamos, e era muito: em emoção, em trabalho, em dedicação, em colaboração, em impaciências, em discordâncias e também assentimentos. Só assim foi possível obtermos este resultado, e eu sentia-me verdadeiramente feliz por isso. A noite seguiu com conversas, com um rancho delicioso vestido a rigor da época, com a boa disposição de alunos prontíssimos a ajudar e com o alívio, de que finalmente tinha acontecido e não podia ter corrido melhor. Os sorrisos demonstravam-no…

É importante lembrar que faz parte deste projecto quem também compra o livro! Comprando, entra para o clube dos que estão connosco para o que der e vier!

Carla Almeida



O poeta é como o sol.

Vídeo/tipografia cinética com a assinatura de Carlos S. Caires. Segundo momento do lançamento-concerto de “A Música de Junqueiro”.

HP

Em nome próprio:

“O Poeta é como o sol”: à partir de uma estrofe do poema “Canção de Batalha” de Guerra Junqueiro, fui desafiado a criar uma composição visual original que assistisse, através de imagens, à uma (nova) compreensão do texto. A primeira ideia passou por utilizar apenas tipografia como elemento gráfico, o que foi logo bem aceite pelo proponente. Através de várias metáforas visuais, do movimento de tipos no espaço de composição e do respeito pela crominância dominante de todo o projecto “Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro” penso que se conseguiu um resultado atractivo e que vai (ou pelo menos tentou-se que assim seja) de encontro ao pretendido. Gostaria ainda de realçar a motivação, a curiosidade e a perseverança do Henrique Pereira no acompanhamento do projecto. O seu incentivo constante serviu-nos de energia para produzir com “alguma” dignidade este trabalho.

Carlos S. Caires



“Público” com “A música de Junqueiro”

A propósito do lançamento de A Música de Junqueiro, uma torrente de e-mails!

Um bem-haja a todos.

(Permitem-nos uma sugestão? Digam da vossa justiça, impressões, etc., sob a forma de “comentários” aqui no blog. Desta forma a partilha será comum).

Entretanto, e porque vai sendo assustadoramente recorrente a pergunta – “Onde é que posso adquirir o livro?” – temos a satisfação de anunciar que amanhã, dia 20 de Novembro,  A Música de Junqueiro – livro ilustrado, com dois CD’s – estará disponível em todo o país com o jornal Público.

(José Pedro Gomes, obrigado pela fotografia).

HP



Ecos #1

A acrescer aos e-mails, cartas, telefonemas e aos generosos “comentários” que aqui vamos registando como estímulo e com gratidão:

“Ora bem… senta-te primeiro!
Vamos filmar o lançamento do projecto Guerra Junqueiro. A Prof. Helena só me disse isto, por isso ainda não percebi muito bem do que se trata. ( …)

Ninguém pode cometer erros senão cortam-nos o pescoço!
Acho que é um dia antes de começar os olhares de Outono, ou seja, tudo ao mesmo tempo! Vamos morrer, é tudo o que tenho a dizer!”

Este foi o primeiro e-mail sobre o registo do dia 17 de Novembro.

Os nomes dos convidados assustavam-nos, o alcance do projecto também. Até esse momento conhecíamos o Fiel, cuja gestação de mais de dez meses era centro recorrente das nossas conversas. Mas havia mais: o site e o blog revelaram-nos que, além de A Música de Junqueiro, existia um documentário, um livro de entrevistas e uma fotobiografia.

A Alexandra Brites e eu, acompanhadas pela Prof. Helena Figueiredo, iniciámos os preparativos da produção do registo do evento. Listas e listas de material, quadros de operadores de câmara e fotógrafos disponíveis e horários de ensaios.

A equipa da TimeLine 2009 teria a sua estreia neste lançamento. A responsabilidade de ser aqui, na nossa “casa”, aumentava a tensão. O primeiro ensaio assustou-nos. Tínhamos de requisitar material não disponível. Eram precisas ainda mais pessoas do nosso lado. O sobe e desce entre arquivo e Ilídio Pinho crescia freneticamente.

Chegou a grande noite. Entrevistas, fotografias e mudanças de última hora. Rezávamos para que tudo corresse bem. E correu.

No meio de tanto frenesim, ainda deu tempo para apreciar o serão e assistir ao trailer do documentário, com excertos das entrevistas e ao trailer do Fiel, com comentários dos bastidores. Tratou-se do lançamento do livro A música de Junqueiro mas também de uma breve apresentação de todo o projecto – desenvolvido até ao momento.

O público riu-se com a ingenuidade dos comentários do Bando dos Gambozinos, emocionou-se com a Oração à Luz pelo EAmsemble e rendeu-se à declamação de Melro. A apresentação do projecto, pelo seu coordenador e director científico, Henrique Manuel Pereira, entre outros convidados, contribuiu para um novo olhar sobre Guerra Junqueiro, reforçado pelas diferentes sonoridades que envolveram as obras apresentadas nessa noite.

À meia-noite estávamos a guardar todos os cabos, tripés e máquinas, enquanto alguns dos convidados eram ainda entrevistados. A noite chegava ao fim. Restavam-nos sorrisos cansados, uma saca repleta de cassetes e a sala de visionamento a abarrotar de material.

Houve pequenos momentos que não ficaram registados nas câmaras, mas que permanecerão comigo.

A displicência com que me pediram para levar uma capa para o A. Luxúria Canibal. Estar à porta do auditório e chegar António Capelo, que conheço apenas de palcos e televisões. Ver a Sofia saltitar quando o reconheceu. Cruzar-me num corredor com o Rui Vieira Nery. Dar passagem a uma fila interminável de Gambozinos curiosos e irrequietos.

No dia 17 de Novembro, a equipa TimeLine 2009 lidou com a sua a inexperiência, tentando superá-la.

A Música de Junqueiro provou-nos que é possível concretizar um projecto, por mais ambicioso que seja. Basta sonhar, querer e lutar.

Susana Grilo

(aluna do 3º ano de Som e Imagem – EA)

 



Livro e CD’s

Na noite do lançamento-concerto de “A Música de Junqueiro”, ao lado de uma das mesas de venda, corria esta animação realizada pela Leonor Ponte com base na capa (aberta,  frente e verso) e miolo do livro.



17 Nov. 09. “A Música de Junqueiro”.#1

Brevemente daremos uma reportagem fotográfica do lançamento-concerto de A Música de Junqueiro (noite de 17 do corrente, na U.C.P. – Porto). A equipa do Time Line, sob a coordenação da nossa colega Helena Figueiredo, tem em preparação uma versão integral.

Entretanto, deixamos uma pequena amostra do muito que vivemos.

Registo fotográfico: José Pedro Gomes

Edição: Miguel Costa.

Música:

  • A Lágrima III. (Excerto. João Mascarenhas e Isabel Martinho / A Música de Junqueiro, CD 2 /12);
  • Evolução. (Ana Isabel Almeida /A Música de Junqueiro, CD 2 /19);
  • In Pace – Finis (Excerto.Pedro Ribeiro, Andreia Rodrigues, Rui Santos/A Música de Junqueiro, CD 2 /16).

HP



Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro – Porto Alive!

Um dos primeiros momentos da divulgação pública do nosso projecto. 12 Nov. 2009.



convite: a música de junqueiro

convite-1

convite-7

convite-9

Cópia de flyer-2

HP



Implicados em A Música de Junqueiro

cartaz_festaComo o João Cordeiro foi adiantando, A Música de Junqueiro é já uma realidade, faltando-lhe apenas ganhar asas e voar.

A lista de nomes individuais e colectivos que corre adiante representa os implicados nesta fase do projecto (o problema das listagens é a possibilidade de, inadvertidamente, esquecermos alguém).

Não tomem este (provisório) elenco por exibição. Porque nunca é demais agradecer muito, é antes, e acima de tudo, uma transparente, pública, altissonante, ruidosa manifestação de sincera gratidão por parte da equipa que desenvolve o Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro.

Poderão aqui encontrar autores de textos, ilustradores, compositores musicais, intérpretes (voz e instrumentos), actores, operadores de câmara, editores de vídeo, som designers, fotógrafos, técnicos de luz, etc., etc.… Muitos destes nomes deveriam ser precedidos de títulos como “Dr.”, “Mestre”, “Prof. Doutor”… Perdoe-se-nos a informalidade.

Como diria o proverbial Monsieur de La Palice, “juntos somos mais fortes”. Vamos em frente, outros se juntarão a nós.

Adolfo Luxúria Canibal

Álvaro Barbosa

Ana Isabel Almeida

Ana Maria Liberal

Ana Morais

Ana Neves

Ana Rosa

Andreia Rodrigues

Ángel González

Anthero Monteiro

António Braz Teixeira

António Capelo

António Ferreira de Brito

António Morais

António Salgado

António Vale da Conceição (Kiko)

Arnaldo Saraiva

Artur Agostinho

Carla Almeida

Carlos Carvalho

Carlos Nogueira

Carlos S. Caires

Catarina Latino (BN)

Cecília Pessanha

Cristina Dias

Daniel Marques

Daniel Serrão

David Ferreira

Diana Cardoso

Diana Devezas

Diana Martínez

Diogo Rodrigues

Diogo Tudela

EAansemble

Emerenciano

Eunice Muñoz

Fernando C. Lapa

Fernando Guimarães

Fernando Valente

Francisco Carvalho Guerra

Francisco Lobo

Francisco Relvas

Francisco Rua (França)

O Bando dos Gambozinos

Gonçalo Vasquez

Gustavo Bacelos

Hélder Moreira

Helena Figueiredo

Helena Pinto

Henrique Manuel S. Pereira

Hilary P. Reader

Houdini Blues

Hugo Frota

Íris Maria

Isabel Martinho

Jaime Neves

Joana Domingues

Joana Moreira

João Cordeiro

João Mascarenhas

João Negrão

João Rema

João Teodósio

João von Hafe Pérez

Joaquim Azevedo

Joaquim Domingues

Jorge Abade

Jorge Cunha

Jorge Palma

José C. Seabra Pereira

José Emídio

José Fonseca

José Jorge Letria

José M. Caldeira Santos

José Rodrigues

Leonor Ponte

Luís Carvalho

Luís Cilia

Luís Ferraz

Luísa Barriga

Mafalda Castelo-Branco

Manoel de Oliveira

Manuel A. Guerra Junqueiro

Manuel Ferreira Patrício

Manuela Matos

Marcos Boaventura

Maria de Lourdes Resende

Maria do Céu Ribeiro

Maria do Rosário Domingues

Maria Helena da Rocha Pereira

Maria João Pacheco

Marina Pacheco

Mário Soares

Marta Costa

Marta Luz

Marta Reis

Martinho Cardoso

Miguel Real

Mónica Caldeira

Nuno Júdice

Nuno Silva

Olga Vasilyeva

Paul Driver

Paula Carvalho

Paulo Antunes

Paulo Teixeira

Pedro Abrunhosa

Pedro Alves

Pedro Ferreira

Pedro Monteiro

Pedro Moreira

Pedro Oliveira

Pedro Ribeiro

Pedro Sinde

Rafael Luís M. da Silva

Rancho Folclórico do Porto

Renata Ramos

Rodrigo Monteiro

Rui Pintão

Rui Santos (Raez)

Rui Vieira Nery

Rute Marques

Ruy de Carvalho

Sahra Kunz

Sara Carneiro

Sara Castro

Sofia Serra

Suzana Ralha

Time Line (Equipa)

Vasco Carvalho

Vítor Teodósio

HP

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Comissão Nacional Comemorações da República

Quem nesta aventura nos acompanha saberá que quando partimos pouco mais tínhamos do que um propósito e um projecto: revisitar/descobrir Guerra Junqueiro, em várias fases:

Nome de Guerra, a Viagem de Junqueiro – Documentário de 55 min., em HD

A Música de Junqueiro – (Livro + CD duplo)

À Volta de Junqueiro (Livro de entrevistas)

Fotobiografia

Um Blog e, de mãos dadas com este, a contar a história do projecto, um site www.artes.ucp.pt/guerrajunqueiro

Em rigor, além daquele propósito e projecto, tínhamos também uma convicção: importava partir, outros se juntariam a nós. Assim foi e vai sendo.

Por agora, importa dizer que este revisitar/descobrir Guerra Junqueiro conta com o inestimável apoio da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República, a quem significamos o nosso reconhecimento.

HP

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Take #3 – A Música de Junqueiro

Agora, que A Música de Junqueiro efectivamente passou de projecto a realidade, é tempo de olhar para trás e reflectir sobre o caminho trilhado ao longo de um ano.

Se é verdade que nem tudo foram rosas, não menos verdade será afirmar que os objectos produzidos (livro e CD) são de um valor inestimável, quer em termos da preservação da memória colectiva do poeta, quer da importância musicológica do documento.

A exaustiva recolha levada a cabo encerra um património que valeria a pena averiguar no contexto de outros poetas; experimentar a obra de um poeta pela corneta de uma grafonola, é abrir uma nova janela de entendimento sobre a mesma.
No caso de Junqueiro, ouvir o mesmo texto revestido de tão variadas coberturas musicais levou-me a perceber a potencia(lidade) musical da sua poesia; um dos elementos, para mim, mais fascinantes.

A Música de Junqueiro tem esse poder! E é essa experiência que pretendemos proporcionar ao espectador na cerimónia de lançamento do Livro e CD’s. Será já a 17 de Novembro e em breve daremos notícias…

João Cordeiro

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50 segundos – 600 desenhos de um cão

Na luz do seu olhar tão lânguido, tão doce,

Havia o que quer que fosse

Dum íntimo desgosto:

Era um cão ordinário, um pobre cão vadio…

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Falam Casebres de Pescadores

É uma das 12 “vozes” que compõem o Finis Patriae, livro de Guerra Junqueiro, posto a circular ainda em finais de 1890. Na linha do horizonte, o Ultimatum inglês de 11 de Janeiro e os trovejantes soluços de um Povo que sente fugir-lhe a alma. Talvez, por isso, não seja casual a dedicatória: “À mocidade das Escolas”.

A esta poesia, Junqueiro chamou-lhe “Falam Casebres de Pescadores”. Por sua vez, Fernando Lopes-Graça, ao musicá-la, em 1950, hesitou em chamar-lhe “Mar pavoroso, mar tenebroso”. (Pena que Lopes-Graça deixasse apenas em esboço duas outras canções com letra de Junqueiro!).

A nossa gravação aconteceu numa daquelas noites de magia em que quatro pessoas, juntando-se, se descobrem amigas. Rui Pintão interpretou-a ao piano; Luísa Barriga deu-lhe a força e o entusiasmo da sua voz de soprano; João Cordeiro registou o som.

Mais tarde, descobrimos a notável colecção de fotografias de Miguel Alírio Rodrigues e… Exactamente, foi apenas com registos fotográficos que pintámos este pequeno clip. Ou seja: não há aqui um único frame de vídeo. A excelente pós-produção da Helena Pinto fez o resto.

“Falam Casebres de Pescadores” é uma das cerca de 40 composições musicais reunidas em A Música de Junqueiro.

HP



Dois Fiéis e nunca DesAnimados

Foi grande ingenuidade nossa pensarmos que esta experiência de Animação ia ser um trabalho rápido e eficiente. Conhecem a história do Fiel, de Guerra Junqueiro? É disso que se trata. No início, estava a Renata Ramos, o Francisco Silva e o Francisco Rodrigues. Juntos planearam, filmaram e stressaram. Para a Renata ficaram as decisões importantes das filmagens e a estreita comunicação com o Professor Henrique, para o Francisco Silva os cenários e para o Francisco Rodrigues a Animação.

O que parecia ser apenas uns pequenos clips de animação introduzidos num filme de imagem real depressa se revelou no oposto e foi com grande entusiasmo (mas) lentidão que o Francisco começou esta tarefa hercúlea.

A coisa não ia longe. Sucessivos adiamentos para o final do projecto, mais e mais cenas para fazer, começámos finalmente a perceber a dificuldade que é fazer um projecto de Animação 2D e porque é que aqueles senhores da Disney têm largas dezenas de animadores a trabalhar em simultâneo durante um período considerável de tempo.

Desesperado, o Francisco chama o Tiago. Alimentados a chocolate quente da máquina em frente à sala de 2D, uma escolha musical excepcional e variada e com uma dose de loucura (essencial para quem se decide meter nesta coisa da Animação) a carruagem começou finalmente a andar. Mas, por mais trabalho que se fizesse, algo não batia certo. Havia traços que não acertavam, cães que pareciam perus de gelatina a abanar ao vento e diferenças muito grandes no traço de um plano para o outro. Foi, pois, necessária uma reestruturação do estilo visual e do método de trabalho: desenhos maiores, trabalho em Photoshop e distribuição de enquadramentos específicos. E toda uma nova vida surgiu, íamos começar a andar a todo o gás! Mas claro, de repente, não fosse isto um projecto de Animação sério conduzido por duas pessoas cuja experiência combinada de Animação atingia uns estonteantes 60 segundos (para este Fiel de Guerra Junqueiro são 10 minutos de filme!), era inevitável de novo reajustar timings e formas!

E assim, nestas lides, se passaram dias e noites. Após um curto período de férias retomamos o trabalho a 16 de Agosto com toda a força para poder levar o “nosso” pequeno Fiel a bom porto. Querem saber? Pegamos às 10h e largamos às 18h (fora as horas extra), fazemos o trabalho de 5 pessoas e estamos felizes com isso! Uma experiência de crescimento no meio em que contamos vir a trabalhar o resto das nossas vidas que nos tem ensinado mais que muitas disciplinas juntas. Foi preciso reunir e discutir, ver trabalhos de outras pessoas, invejar a qualidade de outros e andar para a frente e para trás, tentando experimentar e definir o nosso estilo.

Estamos ambos muito gratos pela oportunidade que foi concedida a duas pessoas que ainda estão muito longe de chegar ao nível que queriam para este projecto. Gratos por poder provar que ainda se pode sonhar em 2D e que o trabalho que esta técnica exige (que acaba por afastar muitos desta pequena sala) não é impedimento para que nos lancemos ao trabalho conscientes, mas sem temer a sua dificuldade. Também agradecemos muito a confiança, paciência e apoio do Professor Henrique Pereira que sempre que passa pergunta pelo nosso “béu-béu” e não se cansa de ajudar-nos como pode.

Um dia, lá chegaremos! Está quase…

Felizes por poder colaborar,

Os “Fiéis” Tiago Cruz e Francisco Rodrigues

(alunos do 3º ano de Som e Imagem – EA)

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Guerra Junqueiro no Centenário da República



Nos bastidores de “A Música de Junqueiro”

Eis uma pequena amostra, género making of, de A Música de Junqueiro, trabalho que compreende um livro e dois Cds.

Uma coisa a lamentar aqui: que não apareça sequer um terço das largas dezenas de pessoas que nele colaboraram afincada e entusiasticamente.

Para todos a gratidão da equipa deste Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro.

HP



Take #2 – a Música de Junqueiro

Olá,

 cá estou outra vez, desta feita para vos falar da minha experiência na gravação do duplo CD A Música de Junqueiro, um dos projectos englobados neste grande projecto que é Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro.

 Impusemo-nos um desafio: gravar e editar em cd todas as canções com letra de Junqueiro, percorrendo-lhe a obra poética.

 À partida, era uma tarefa que não levantava grandes dificuldades, uma vez que, mesmo com as pesquisas já em adiantado estado, as obras que se conheciam não chegavam à vintena; por outro lado, os potenciais intérpretes eram todos da casa (entenda-se, do Curso de Música da Escola das Artes da UCP-Porto).

 Mas as investigações prosseguiram e as ideias “chamejaram”… E aí, sim, começaram os problemas. Com o passar do tempo, não só novas obras foram sendo descobertas como muitas outras foram sendo também criadas – lançámos convites a bandas e jovens compositores.

 Produto final: cerca de 40 temas que abarcam sonoridades tão distintas como electrónica minimal, hip-hop, pop, cantautor, jazz, etc., para além, claro está, das peças para coro e para voz e piano. Tudo isto somado perfaz aproximadamente uma hora e trinta minutos de música e poesia! Impunha-se, pois, a necessidade/vontade de fazer um cd duplo. Modéstias aparte, sentimos orgulho em cada segundo, em cada compasso, em cada estrofe.

 Mas os Cds não sairão à rua sozinhos. Irão pela mão de um belo livro intitulado A Música de Junqueiro (mas sobre ele não me deterei em pormenores, até porque está mais fora da minha “jurisdição”).

 Para terminar, e em nome de toda a Equipa, queremos desde já agradecer com um forte abraço a todos aqueles que contribuíram para a concretização deste projecto.

 Logo que A Música de Junqueiro esteja disponível prometemos avisar

 Até breve,

João Cordeiro

 



Um caminho traçado

Foi com entusiasmo que aceitei o desafio de comunicar visualmente o projecto Revisitar | Descobrir Guerra Junqueiro. Digo “comunicar visualmente”, pois este projecto não passa por fazer um simples logotipo e uma imagem gráfica. Foi e é bem mais do que isso. 

Com o convite do Henrique chegou o entusiasmo por, desde logo, tratar de desenvolver algo que é tão historicamente nosso. Depois, a visibilidade e proporção que este projecto deixava antever agradaria a qualquer criativo. A ideia de deixar um cunho pessoal num projecto tão rico, que envolve tantas pessoas, tanta e tão rigorosa investigação é, no mínimo, inspirador.

Durante o processo de criação várias hipóteses foram sendo colocadas, nomeadamente se se iria adoptar um estilo mais clássico ou contemporâneo. Sabia que tinha um “grande” projecto em mãos, mas não tinha ideia do que ainda estava para vir. A prudência recomendava um meio-termo no que diz respeito a estilos visuais. É das escolhas mais ingratas que um designer tem de fazer: começar um projecto gráfico de algo que ainda está a nascer, sabendo de antemão o muito que vai crescer. Tinha, pois, de criar algo flexível e facilmente alterável, tendo em conta o futuro do projecto.

O que mais me inspirou foi, através da palavra e da imagem de Guerra Junqueiro, perceber o caminho traçado pela sua vida. O que percorreu, o que escreveu, o que influenciou e o que viveu, o que fez nascer e morrer. Percurso este que é representado por uma linha no projecto, um grafismo simples e presente (com moderação) durante o projecto, principalmente em A Música de Junqueiro.

Como balanço gráfico e quase geométrico, temos agora o uso de uma circunferência como base do logotipo. Esta opção fez com que, se o projecto se ramificasse no futuro, a imagem não ficasse comprometida. Então quatro logos base foram criados. O principal, e que dá nome ao projecto, a vermelho, que é aliás a cor predominante, e os outros com variações de cor que se complementam. 

O desenvolvimento do website, em parceria com Rafael Vieira (ex-aluno da casa), constituiu igualmente um desafio. Pretendia-se algo que traduzisse a alma do projecto e, acima de tudo, do próprio Guerra Junqueiro.

Cumprindo toda a linha gráfica já idealizada, julgo que o site resultou num privilegiado espaço de informação, que descreve o projecto, bem como um rigoroso iluminar do Poeta nas suas múltiplas facetas. 

O blog reflecte o mesmo conceito que o website, mas de forma mais flexível (em termos de conteúdos). No fundo, este espaço dá continuidade ao website e vice-versa. Por se completarem e pelo próprio grafismo ter de espelhar isso, usamos a mesma fotografia de Junqueiro como imagem principal (que é, aliás das que mais gosto por mostrar o seu perfil imponente), e deixamos que o resto fale por si. O blog é um espaço de comunicação, informação e participação de todos. Ou seja, queremos que ele seja um registo do revisitar/descobrir Guerra Junqueiro. 

Ver este projecto nascer, ver que está a ser concretizado e a deixar marcas, deixa-me orgulhosa de fazer parte da viagem de Junqueiro.

Carla Almeida

 

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Revisitar Junqueiro em Madrid

De volta ao Porto, escrevo agora sobre a aventura junqueirina das minhas últimas 2 semanas em Madrid: a procura na Biblioteca Nacional de Espanha de jornais antigos espanhóis que mencionassem ou contivessem artigos, notícias ou referências a Guerra Junqueiro. Sobretudo os de referência de início do século XX, como o El Fígaro, El Sol, ABC, Heraldo de Madrid, El Liberal. Esta cruzada foi, claro está, orientada por referências e um mapa de busca traçado previamente pelo Henrique, tendo em vista o nosso documentário.

A imponência do edifício invade-nos a retina ainda antes de sabermos sequer que estamos perante a Biblioteca Nacional. Um edifício grande e grandioso, em plena Plaza del Cólon, não muito longe da Plaza Cibelles e do Parque do Retiro, locais que agitam a vida no centro da cidade. Para além da Biblioteca, funciona no mesmo edifício o seu Museu, a principal atracção para quem turisticamente o visita.

Ao entrar na Biblioteca, as barreiras de segurança são mais do que as que julgava alguma vez encontrar. Um posto de atendimento, direccionamento do visitante-leitor e segurança; uma máquina (e respectivo operador) de detecção de metais, ao bom estilo de um aeroporto; cacifos junto a um outro posto de segurança na porta de entrada para a Biblioteca onde deixamos tudo menos o essencial (e mesmo as folhas, canetas, pen drives e portáteis são vistoriados). Passamos então à identificação e preeenchimento do nosso cartão de leitor, ficando «listos» (prontos) para nos dirigirmos ao quarto piso e iniciarmos a nossa procura.

Quase todos os jornais que consultei estavam em suporte de microfilme; a excepção foi o ABC, que se encontrava já digitalizado. A requisição das películas é feita de forma detalhada: preenchimento de fichas, identificação do leitor e atribuição de uma máquina para visionar os microfilmes. Depois o técnico vai buscá-los aos armários onde são conservados e etiquetados com grande cuidado. Finalmente chegam os microfilmes, 3 de cada vez (o máximo permitido).

Fiquei admirado. Mesmo estando dentro do projecto e partilhando da admiração da equipa por Guerra Junqueiro, surpreendeu-me a quantidade e qualidade das notícias e artigos encontrados. Guerra Junqueiro era uma figura inegavelmente reconhecida em Espanha: “el gran poeta”, “príncipe de la poesia de la Ibéria”, são algumas das expressões que lhe são atribuídas em muitos dos artigos. Inclusive por autores tão reconhecidos como Miguel de Unamuno. Chegamos a ter um jornal de tendência monárquica, o ABC, a dedicar artigos de 2 páginas a um personagem republicano como Guerra Junqueiro. E o tipo de jornalismo impresso é simpático (e justo, diga-se) para com o Poeta. Se cá dentro e lá fora o seu reconhecimento na sua época é indiscutível, não há razão para que não seja exaltado, revisitado e redescoberto nos dias de hoje com a mesma intensidade.

Pedro Alves

29 de Junho de 2009



O ponto de vista da produção
26 Junho, 2009, 12:17 pm
Arquivado em: 13 O ponto de vista da produção

Os mapas estavam há muito feitos pela investigação do Henrique. Tendo em vista o documentário, era, contudo, necessário proceder à recolha e catalogação de imagens de arquivo, vídeos e registos sonoros mas também, em simultâneo, proceder à captura de depoimentos e imagens de diversos locais por onde passou Guerra Junqueiro. Teve assim início o nosso desafio que continuará até onde pudermos levá-lo.

Tendo começado esta Viagem com pouco conhecimento sobre o Poeta depressa descobri que também a minha história pessoal fora muito marcada pela vida e obra de Guerra Junqueiro. Em arrumações da casa de família pude encontrar diversas obras, manifestamente muito lidas e, no seu interior, alguns apontamentos e marcadores que me revelaram um gosto particular transversal a três gerações.

Viajar pelos locais da permanência ou passagem de Junqueiro e pesquisar em diversos arquivos imagens que sabíamos que iríamos encontrar, mas também a contínua descoberta de surpresas, obrigou-nos a seguir diversos caminhos em simultâneo.

Vários locais da nossa passagem conduziram a novos contactos. Desta forma, teríamos talvez material para uma série de documentários sobre Guerra Junqueiro.

Esta aventura tem sido, sem dúvida, um acumular de novas experiências, conhecimento e interacção com entidades e pessoas extremamente disponíveis e interessantes.

Ficam aqui algumas imagens destas Viagens da equipa.

Marta Reis

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Guerra Junqueiro: o poeta da República, um poeta contra a República

É um dos capítulos do livro Catorze Escritores do Norte, coordenado e ilustrado por Orlando da Silva. Apresentado ao público por João Bezerra, no Salão Nobre da Junta de Freguesia de Santa Maria da Feira, na noite de 5 de Junho, o livro reúne estudos de especialistas sobre Camilo Castelo Branco (com texto retomado de Manuel Laranjeira); Júlio Dinis (Abílio Ferreira da Silva), Guilherme Braga, Sophia de Mello Breyner (Anthero Monteiro); Eça de Queiroz (Fonseca Gaspar), Guerra Junqueiro (Henrique Manuel S. Pereira), António Nobre (Humberto Rocha), Manuel Laranjeira (Orlando da Silva), Teixeira de Pascoaes (António Cândido Franco), Aquilino Ribeiro (Manuel de Lima Bastos), Ferreira de Castro (Paulo Samuel), João de Araújo Correia (Carlos Maduro), José Régio (Manuel Poppe), Miguel Torga (Celestino Portela).
Cada estudo é precedido do retrato do autor em apreço, pela pena de Orlando da Silva. A personalidade e a iconografia destes Catorze Escritores do Norte fica assim manifestamente mais rica.

HP

 

 



Carta aberta de Espanha
10 Junho, 2009, 5:27 pm
Arquivado em: 11 Carta aberta de Espanha | Tags: , ,

pedroCaros Junqueirianos,

Por uma feliz coincidência, da qual apenas tomei consciência no preciso momento em que começava estas linhas, escrevo-vos no dia em que celebramos, portugueses, a possibilidade de nos reconhecermos cidadãos de um país independente. A independência que celebramos reveste-se de roupagens políticas, sociais, económicas e – aquelas que mais me interessam neste caso – culturais. A nossa cultura tem razões para ser celebrada, por muito que nos passe frequente e diariamente despercebida ou garantida. E partidismo ou subjectivismo nosso à parte, Guerra Junqueiro será, certamente, um dos vértices culturais a ser lembrado nessas celebrações. Cá por Madrid lembrarei esse vértice sozinho, provavelmente, visto que das pessoas com quem tenho falado sobre o projecto ou Poeta (gente de várias idades, classes sociais, profissões, nacionalidades e contextos), nem uma única reconhece o seu nome. Um ponto (mais) a favor do nosso projecto.

Apesar de distante da “aconchegada” sala de edição de vídeo #19, da esteticamente prática sala de reuniões ou do preenchido gabinete do GAPSI (que, tanto quanto soube, mudou recentemente de instalações – sim, tenho as minhas fontes), tenho-me mantido, como sabem, próximo de todo o trabalho que está a ser desenvolvido e vou tomando parte em tudo aquilo que os quilómetros de separação me permitem. Felizmente os meios de comunicação como a internet e o telemóvel ainda não condicionam as suas possibilidades de aproximação de ideias e recursos pela distância física, o que me vai deixando dar uma ou duas perninhas em algumas das nossas pendências. Aproximamo-nos do final de um longo percurso, iniciado há cerca de ano e meio (sou uma das pessoas a quem dá a impressão de que cada dia vivido no projecto deve ter valido por 3 ou 4 reais, tal foi a velocidade com que o tempo passou). Os objectivos colocados no começo deste caminho não se comparam mais às exigências que o projecto global foi ganhando durante todo este tempo. A ambição, bem como a responsabilidade, cresceram. As dificuldades e cansaço também. Mas, pelo menos no que me toca (e com a humildade de quem não tem mais que viver diariamente e intensivamente todas as fases e faces do projecto), continuo com a mesma confiança, expectativa e optimismo que respirei no primeiro encontro, na primeira reunião, na primeira filmagem, no primeiro resultado. Sinto a saudade tão portuguesa por todos os momentos de trabalho, reflexão e lazer, por toda a dinâmica diária da construção de algo que nos marcará a todos, certamente, a nível profissional e pessoal. Lo echo todo de menos.

Por tudo isto, e mesmo à distância, as barbas não param de crescer. E não irão parar, por muito frequente que seja a necessidade de as aparar. Não perdem a confiança, a motivação e a responsabilidade de poderem fazer parte de uma face hermosa como é a do Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro (tal como o são as dos membros da sua equipa, claro – um outro ponto [mais] a favor do projecto).

Um abraço “unamuniano” do vosso companheiro de Guerra.

Pedro Alves
(Madrid, 10 de Junho de 2009)



Um, dois, som, experiência…

jcordeiroOlá,

Há mais de um ano que o Henrique me meteu nesta aventura, convidando-me para participar no projecto Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro. Para mim, a personalidade de Guerra Junqueiro “pouco mais era que nome de rua”. Dado o meu desconhecimento relativamente ao poeta, rapidamente se percebe que não foi a identificação com o tema que me levou a aceitar o desafio, mas sim a equipa que já na altura se começava a esboçar. Desde professores a antigos colegas, a lista era irrepreensível.

Um ano (e picos) depois aqui estou eu com um punhado de histórias para vos contar sobre esta aventura, as quais espalharei por diversos “posts” ao longo do tempo. Escolherei as que, pelo seu carácter lúdico (mas também didáctico), poderão contribuir para dar a conhecer um pouco mais sobre o Projecto, especialmente no que diz respeito ao som, área pela qual fiquei responsável.

#1 – A proposta inicial… e a deslocação a Freixo de Espada à Cinta

A proposta inicial era trabalhar o som de um documentário sobre vida, obra  e pensamento do poeta Guerra Junqueiro, figura que passei a conhecer e a admirar. E tal tarefa tinha tanto de aliciante como de exequível, dado que me encontrava a terminar o mestrado em Design de Som.

Comecei então por fazer listas de material, planificações, requisições, etc., para de seguida partir para a fase das captações de som, as quais se baseavam principalmente em entrevistas e ambientes dos locais que visitávamos.

Recordo com particular alegria a deslocação a Freixo de Espada à Cinta onde ficámos alojados na Congida – local paradisíaco nas margens do Douro.

Foram dias de trabalho árduo. Trilhámos imensos caminhos, muito deles completamente incrustados numa natureza inóspita que terá servido de inspiração ao “nosso barbas” (é assim que, entre nós, carinhosamente tratamos o Poeta).

Desta deslocação resultaram bastantes entrevistas e imagens de natureza, que com certeza poderão ver no documentário Nome de Guerra, a Viagem de Junqueiro. Para já fiquem com estas fotos da equipa a “trabalhar”.

João Cordeiro

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Guerra Junqueiro e as mediações francesas: Traduções

Portugal e o Outro: Olhares, Influências e Mediação, com coordenação de Otília Pires Martins (Imprensa de Coimbra, CLC, FCT, Univ. Aveiro, 2009, integra, a  pp. 99-146 “Guerra Junqueiro e as mediações francesas: Traduções”, assinado por Henrique Manuel S. Pereira.

Ao longo de cerca de 50 páginas, desmonta-se a convicção vigente de que a figura e obra poética de Guerra Junqueiro nunca penetrou ou teve eco no meio cultural francês. Apura-se que o poeta de Freixo de Espada à Cinta mereceu o particular apreço de figuras como Philéas Lebesgue, Maxime Formont, Achille Millien ou Jules Supervielle.

P. Lebesgue, caso singular da lusofilia francesa, não apenas escreveu longos e elogiosos comentários a respeito da vida, obra e pensamento de Guerra Junqueiro, nas crónicas do Mercure de France, como o traduziu, chegando a dedicar-lhe poemas; M. Formont, também na qualidade de um dos mais destacados lusófilos franceses, estudou Guerra Junqueiro em páginas de publicações diversas e empreendeu a tradução de Os Simples, a qual, constestada por Junqueiro, acabaria por ficar incompleta; igualmente de Os Simples, A. Millien, nome grande da etnologia contemporânea francesa, traduziu um excerto; por sua vez, o franco-urugaio J. Supervielle, traduziu na íntegra a Oração ao Pão e A Lágrima, publicando as suas versões na conceituada revista La Poètique.

Às referidas traduções acrescem duas outras: a versão francesa de um fragmento de Pátria, por Fernande Lambert; e, mais próximas no tempo e daquela mesma obra de Junqueiro, a versão assinada por Evelyne Kesteven, integrante da Anthologie de la poésie portugaise du XIIe au XXe siècle, seleccionada por Isabel Meyrelles.

Há um estranho fenómeno que nos acontece: ainda que esqueçamos o título e o autor de uma obra que alguém recomendou, não se esquece a aura que acompanhou a recomendação.

HP



“Canção de Batalha”, por Pedro Abrunhosa

Guerra Junqueiro publicou esta poesia em O Occidente nº 11 (1 Jun. 1878), p. 83; retomou-a, com ligeiras alterações ao nível da pontuação e maiúsculas, nas Poesias Dispersas (1920).
A leitura é de Pedro Abrunhosa, o som de João Bessa, a fotografia e edição motion graphics de Miguel Matias Alves, com a cumplicidade de Maria do Rosário Domingos.

HP



“Conhece?”

Pequena amostra de uma tarde de domingo da Mafalda Castelo-Branco e do Diogo Rodrigues (câmara e edição), pelos jardins do Pavilhão Rosa Mota (ex-Palácio de Cristal, no Porto).
Pegaram numa das fotografias mais conhecidas de Guerra Junqueiro… “Conhece?”

HP



À Descoberta de Guerra Junqueiro – Reportagem (1/2)

Como está Guerra Junqueiro representado na toponímia nacional? Quantas Ruas, Avenidas, Praças, Pracetas e Travessas têm (ou tiveram) o seu nome? Qual o significado desses topónimos? O que significa hoje o nome de Guerra Junqueiro nas representações mentais dos portugueses? O que é o Projecto Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro? Como nasceu? Quem o integra?
Reportagem realizada no âmbito da cadeira de Jornalismo (Dep. Som e Imagem. 1º Sem. 2008/09), por Liliana Alves, Joana Vieira e Osvaldo Pinto, com grafismo de Pedro Vasconcelos. Aqui dividida em duas partes.

HP



Morena

Uma viagem ao passado. Guerra Junqueiro compôs os versos da “Morena” ainda no período de Coimbra, cursava então direito, e publicou-os em O Primeiro de Janeiro (13 Out. 1870). Com ligeira alteração e supressão de uma estrofe, retomou-os na 1ª edição de A Musa em Férias (1879).
Anos volvidos, patenteado o sucesso popular da poesia, o compositor A. Duarte da Costa Reis vestiu-a de música. No âmbito do revisitar/descobrir Guerra Junqueiro, Sara Carneiro (canto) e Ángel González (piano) interpretaram-na, com registo de som de João Cordeiro.
Como “pintá-la”? As fotografias que Emílio Biel, nome grande da fotografia, publicou em 1910, na Ilustração Portuguesa foram o “clik”. Bastou seleccioná-las. O Raul Paulo digitalizou-as e eis a nossa “Morena”, com a determinante ajuda do Diogo Rodrigues.
Claro, também nós empreendemos em obra mais complicada. Dispensamo-nos de o relatar, bastando dizer que o João Negrão ainda trabalhou em esquemas sonoros e o Pedro Vasconcelos (além de tratar as imagens) se dedicou a uma cibernética abertura em after effects. É difícil fazer simples…

HP



Boas festas

É certo que o nosso blog não é (ainda) oficial. Mas, porque são já dezenas os amigos que se nos associaram neste revisitar/descobrir Guerra Junqueiro, queremos desejar a todos umas BOAS FESTAS.

Tem duas peças o nosso postal:
1. A poesia “Natal”, de Guerra Junqueiro (publicada em O Comércio do Porto Ilustrado, Natal 1893, e retomada em Poesias Dispersas, 1920), musicada por Tomás Borba, interpretada pelos Gambozinos e gravada pelo João Cordeiro.

2. Natividade, óleo sobre madeira de carvalho, Séc. XV, pertencente à Colecção Guerra Junqueiro, depositada no Museu Nacional de Arte Antiga. Esta pintura flamenga, de mestre desconhecido, é aqui emoldurada pela arte e o engenho do Pedro Vasconcelos e do José Rafael Vieira.

HP



Conferência – Casa Museu Guerra Junqueiro

martaRealizou-se ontem, na Casa Museu Guerra Junqueiro (Porto), uma conferência subordinada ao tema Guerra Junqueiro, Peregrino da Unidade, proferida por Henrique Manuel S. Pereira, coordenador do nosso Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro.

Feita a apresentação do conferencista, por Manuel Graça, Chefe de Divisão Municipal de Museus da Câmara Municipal do Porto, Henrique Pereira, em cerca de duas horas, abordou a vida, obra e pensamento de Guerra Junqueiro (ilustre poeta, político, filósofo e coleccionador de arte). Foi um momento de verdadeira aprendizagem, durante o qual uma série de mitos, teimosamente colados a Guerra Junqueiro, foram sendo desmontados.

Aos olhos de quem ali compareceu emergiu um novo Guerra Junqueiro.

Marta Reis

 



Equipa Guerra Junqueiro

António Morais – Registo Fotográfico e co-direcção de fotografia
Carla Almeida – Direcção Gráfica
João Cordeiro – Design de Som
José Rafael Vieira – Website
Marta Reis – Produção
Pedro Alves – Assistente de Realização e co-direcção de fotografia

Henrique Manuel Pereira – Direcção Científica e Realização



Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro

Inaugura-se agora o que queremos seja um registo do revisitar/descobrir Guerra Junqueiro, projecto do Dep. Som e Imagem, Escola da Artes, U.C.P. (Porto), com coordenação e direcção científica de Henrique Manuel S. Pereira.

Revisitar? Sim, para quem já conheça Guerra Junqueiro. Além do mais, o Tempo, esse imenso mar, apaga peugadas no areal e na espuma escreve o destino dos homens e das coisas.

Descobrir? Também. Porque, por força da acção do Tempo (e outras), a memória se esbate, sendo os elos da nossa narrativa cultural remetidos ao silêncio. De entre os nascidos após a década de 70 do século passado, Guerra Junqueiro pouco mais será que um nome.

Seguindo o fio dos acontecimentos, esta aventura começou com a ideia de um documentário – Nome de Guerra, a Viagem de Junqueiro –, com o apoio do Álvaro Barbosa, coordenador do Departamento de Som e Imagem e a consequente formação de uma Equipa que o realizasse.

Aceitaram o desafio: Pedro Alves, com quem fiz um primeiro esboço do projecto, Marta Reis, João Cordeiro, António Morais, Carla Almeida, José Rafael Vieira. Conhecia-os bem, seja sob o ponto de vista pessoal, seja pela capacidade de trabalho, dinamismo e entusiasmo. Com ressalva para a Carla Almeida, todos foram meus alunos. Assumo, pois, um lugar-comum: é um privilégio tê-los a meu lado.

Sucede que todos eles nasceram após aquela década de 70. Por consequência, havia que, primeiro, dar a conhecer Guerra Junqueiro à própria Equipa. Somaram-se assim reuniões de trabalho conjunto.

Depois, numa rede de cumplicidades, outros se foram juntando a nós: colegas, alunos, ex-alunos, amigos, e/ou admiradores de Guerra Junqueiro.

Porquê Guerra Junqueiro e não qualquer outra personalidade? Há anos que o investigo, e à recorrente pergunta se é ele o meu poeta favorito, responderei que não. Ou seja, em rigor, não encontrei ainda resposta para aquele porquê. Há quem diga que não somos nós quem escolhe os autores/personalidades a estudar, sendo eles quem nos escolhe a nós. É possível, andamos no mistério e vivemos de sinais.

Nesta data, muitas horas de trabalho estão cumpridas: levantamento fotográfico, filmagens, entrevistas, largas centenas de e-mails e telefonemas, deslocações a Freixo de Espada à Cinta, Viana do Castelo, Coimbra, Lisboa, etc. (E só não fomos aos Açores ou à Suíça porque as nossas “pernas” não alcançam).

Se atrás usei a palavra “aventura”, não o fiz de forma arbitrária, conquanto ela comporte de constrangimentos, imponderáveis e risco. Nenhum dos elementos da Equipa pode, em exclusivo, dedicar-se a este Projecto, desenvolvido em absoluta gratuidade e, por imperativos profissionais, em paralelo com tantos outros compromissos.

Mas, como diria Sebastião da Gama*, esse outro extraordinário poeta e mestre na arte de ensinar, “pelo sonho é que vamos”:

“Chegamos? Não chegamos?

Haja ou não haja frutos,

Pelo sonho é que vamos.

[…]

Chegamos? Não – chegamos?

– Partimos. Vamos. Somos.”

Henrique Pereira

* Saber-se-á que Sebastião da Gama, na sua tese de licenciatura, sobre a poesia social no século XIX, se debruçou demoradamente sobre Guerra Junqueiro? Não há como conferir: Sebastião da Gama, “A dissertação de licenciatura: Apontamentos sobre a poesia social no século XIX”. In Idem, O segredo é amar. 4ª ed. Lisboa: Ed. Àtica, 1995, pp. 139-251, em especial no terceiro capítulo, a pp. 176-228.

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